“É uma notícia para ser recebida com enorme satisfação, e mesmo algum alívio, dada a incerteza que pairou até ao último momento sobre as dinâmicas de voto”. Foi desta forma que o Embaixador de Portugal no Brasil, Luís Faro Ramos, reagiu à decisão do Conselho da União Europeia que, aprovou, na última sexta-feira, 9 de janeiro, o acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul. A formalização política será assinalada com a assinatura da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante uma visita oficial ao Paraguai nos próximos dias.
“Não poderíamos ter tido melhor notícia na cena internacional, no início de um ano em que o
multilateralismo está mais uma vez ameaçado”, sublinhou este diplomata.
Segundo apurámos, o acordo vai criar a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo
aproximadamente 720 milhões de pessoas e um PIB combinado superior a 22 trilhões de
dólares. A previsão é que esta iniciativa possa eliminar mais de quatro mil milhões de euros em
impostos sobre as exportações da UE anualmente.
Especialistas em comércio internacional na América do Sul acreditam que, para além de
ganhos comerciais, o acordo representará um importante instrumento de diversificação
geopolítica, de fortalecimento do Mercosul como parceiro estratégico e de redução da
dependência europeia de mercados como China e Estados Unidos, abrindo assim caminho
para investimentos industriais, infraestrutura e inovação tecnológica no bloco sul-americano.
Entre Portugal e Brasil: carne, cereais, azeite e vinho serão beneficiados
Sobre a forma como Brasil e Portugal poderão se relacionar a partir deste momento, no campo
do mercado internacional, Faro Ramos acredita que o acordo permitirá a Portugal e o Brasil
atuarem com ainda mais interação.
“Há muito que os benefícios do acordo, seja considerando os dois blocos (União Europeia e o
Mercosul), seja considerando cada país individualmente, estão identificados. Com regras claras
e um mercado de mais de 700 milhões de cidadãos, um dos maiores livres mercados do
mundo, o acordo permitirá a Portugal e o Brasil, cujas relações comerciais são tradicionalmente significativas, passarem para um patamar qualitativamente e quantitativamente superior”, comentou Faro Ramos, que revelou que, “do ponto de vista de Portugal, e tendo em conta que uma parte muito significativa das nossas exportações para o Brasil pertence ao setor agroalimentar, o acordo trará benefícios muito relevantes para produtos como o azeite ou o vinho, cujo preço de venda virá a diminuir drasticamente”.
“O mesmo se poderá dizer do Brasil em relação a produtos onde são tradicionalmente fortes,
como a carne ou os cereais. Importante é ressaltar que, num sistema de comércio livre
internacional, ganha a qualidade e ganham os consumidores”, finalizou Faro Ramos, que
aproveitou para alertar que, “o acordo alcançado dia 9 foi ainda um acordo a nível da União
Europeia, a assinatura formal deverá ocorrer no final desta próxima semana, no Paraguai
segundo as informações de que dispomos”.

