O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai apresentar a assinatura do acordo de livre comércio entre os países do Mercosul e da União Europeia como uma grande vitória do multilateralismo e do livre comércio.
Lula vai se reunir nesta sexta-feira (16), no Rio de Janeiro, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, e o chefe do Conselho Europeu, António Costa, para celebrar o acordo e discutir os próximos passos entre os dois blocos.
O governo brasileiro reconhece que o encontro tem um forte peso simbólico num momento em que o multilateralismo vem sendo atacado por medidas de força unilaterais e pela adoção de tarifas contra diversos países, especialmente por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Por isso, Lula quer celebrar o fato de dois dos maiores blocos econômicos do mundo terem decidido, justamente neste momento, avançar com o acordo de livre comércio, reforçando a importância de regras comuns e do diálogo multilateral.
A estratégia do Planalto também será a de apresentar a assinatura como um triunfo da diplomacia brasileira e do engajamento pessoal do presidente Lula.
Afinal, o Brasil foi o país do Mercosul mais empenhado em convencer a Comissão Europeia de que a assinatura era viável, após anos de negociações travadas.
A expectativa é de que Von der Leyen adote a mesma postura, comemorando o acesso privilegiado que a Europa terá a um grande mercado consumidor e a importantes commodities, como os minerais.
O acordo havia sido anunciado inicialmente em 2019, mas acabou bloqueado pelo lado europeu em meio a críticas às políticas ambientais adotadas pelo governo do então presidente Jair Bolsonaro, período em que a devastação da Amazônia aumentou de forma significativa.
As conversas só foram retomadas após o retorno de Lula ao Palácio do Planalto, quando o presidente passou a se envolver diretamente nas articulações com líderes europeus.
Lula chegou a garantir, em pleno palácio do Eliseu, sede do governo da França, ao lado do presidente Emmanuel Macron, que o acordo seria fechado, apesar do ceticismo geral do francês e de boa parte dos analistas europeus.
Macron sempre foi contra o acordo, para tentar proteger os agricultores franceses, que simplesmente não têm condições de competir com o potente agronegócio do Mercosul.
Agora, com a assinatura praticamente formalizada, o governo brasileiro avalia que o acordo deve ser aprovado com relativa facilidade no Congresso Nacional e nos parlamentos dos demais países do Mercosul, impulsionado pelo forte interesse econômico e pelo impacto deixado pelas recentes disputas tarifárias com os Estados Unidos.
A percepção é que não há clima político para barrar um acordo de livre comércio em meio à manutenção de tarifas elevadas impostas de forma unilateral por Washington, muitas ainda em vigor contra o Brasil.
As eventuais dificuldades devem surgir do lado europeu.
Embora o Parlamento Europeu precise apenas de maioria simples para aprovar o texto, outros países do bloco ainda terão de implementar o acordo internamente.
Ainda assim, a avaliação em Brasília é de que, no Mercosul, o processo tende a ser mais rápido.

