As exportações de café do Brasil atingiram 40,05 milhões de sacas de 60 kg ao longo de 2025, volume que representa uma queda de 20,8% em comparação com o total de embarques de 2024. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (19/1) pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Apesar de o volume exportado ter sido menor, a receita cambial alcançou o recorde anual de US$ 15,59 bilhões, crescimento de 24,1% em relação a 2024, impulsionada pelos preços mais elevados do café no mercado internacional e o câmbio mais alto do dólar.
O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, explica que a diminuição no volume exportado em 2025 já era aguardada, especialmente após os embarques recordes registrados em 2024.
“Exportamos um volume histórico em 2024, reduzindo o montante de café armazenado no país, e a safra do ano passado foi impactada pelo clima, combinação que culminou na limitação da disponibilidade do produto”, afirma.
Tarifas dos EUA
Ferreira destaca ainda os impactos das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro entre agosto e novembro de 2025. “Nos quase quatro meses de vigência do tarifaço, nossos embarques aos americanos caíram 55%, majoritariamente afetados por essas taxas. Além disso, como a tributação sobre o café solúvel não foi retirada, o declínio das exportações desse produto para os EUA segue se acentuando”, revela.
Somente em dezembro de 2025, os embarques somaram 3,13 milhões de sacas, recuo de 20,2% em relação a dezembro de 2024. Ainda assim, o desempenho gerou US$ 1,31 bilhão em receitas, alta de 10,7% na mesma base de comparação.
No acumulado do primeiro semestre da safra 2025/26 (julho a dezembro), o Brasil exportou 20,61 milhões de sacas, com faturamento de US$ 8,05 bilhões. Em relação ao mesmo período da safra anterior, houve queda de 21,3% no volume, mas incremento de 11,7% no valor.
O café arábica foi o tipo mais exportado em 2025, com 32,31 milhões de sacas, representando 80,7% do total, embora com queda de 12,8% frente a 2024. Na sequência aparecem o canéfora (espécie que inclui o café conilon e o café robusta), com 3,99 milhões de sacas (10%), o café solúvel, com 3,69 milhões de sacas (9,2%), e o café torrado e torrado e moído, com 58.47 sacas (0,1%).
Os cafés diferenciados, com certificações de sustentabilidade ou qualidade superior, responderam por 20,3% das exportações brasileiras, somando 8,15 milhões de sacas em 2025, volume 10,9% inferior ao do ano anterior. A receita, porém, atingiu US$ 3,53 bilhões, alta de 39,1%, com preço médio de US$ 432,78 por saca.
Gargalos logísticos ampliam prejuízos
Outro fator que pesou sobre o desempenho do setor foi a defasagem da infraestrutura portuária brasileira. Segundo Ferreira, os exportadores tiveram prejuízo de R$ 61,47 milhões até novembro de 2025, em razão de custos adicionais causados por atrasos e alterações de escalas dos navios.
Dados do Boletim Detention Zero, elaborado pela ElloX Digital em parceria com o Cecafé, mostram que 55% dos navios enfrentaram atrasos ou mudanças de escala na média mensal até novembro, impedindo o embarque de 613,4 mil sacas por mês, o equivalente a 1.859 contêineres.
Alemanha lidera destinos do café brasileiro
Entre os principais destinos do café brasileiro em 2025, a Alemanha assumiu a liderança, com a importação de 5,41 milhões de sacas, o equivalente a 13,5% do total, apesar da queda de 28,8% frente a 2024.
Os Estados Unidos ficaram na segunda posição, com 5,38 milhões de sacas (13,4% do total), registrando forte retração de 33,9%. Na sequência aparecem Itália (3,15 milhões de sacas, -19,6%), Japão (2,65 milhões, +19,4%) e Bélgica (2,32 milhões, -47%).
Entre os dez maiores importadores, além do Japão, apenas a Turquia (1,56 milhão de sacas, +3,3%) e a China (1,12 milhão, +19,5%) ampliaram suas compras no ano.

