De uma reunião explosiva com o líder da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a um encontro inesperadamente amigável com o prefeito socialista democrático eleito de Nova York, Zohran Mamdani, o Salão Oval foi palco de alguns dos momentos mais dramáticos do primeiro ano de mandato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O líder americano costuma reunir a imprensa neste espaço histórico para assinar projetos de lei e decretos executivos ou para se encontrar com líderes mundiais, respondendo a perguntas de repórteres sobre todos os tipos de assuntos e, muitas vezes, misturando discussões sérias de política externa com questões não relacionadas.
Na semana passada, por exemplo, ele pareceu amenizar as ameaças de atacar o Irã enquanto uma garrafa de leite integral — parte de um anúncio agendado sobre a política de merenda escolar — estava à frente dele.
Relembre momento memoráveis no Salão Oval durante o primeiro ano do segundo mandato de Trump.
12 de fevereiro: Elon Musk leva o filho ao Salão Oval
Muito antes do rompimento (e reconciliação) público entre eles, Elon Musk era frequentemente chamado de “primeiro amigo” de Trump. E esse afeto ficou evidente em fevereiro, quando Musk e seu filho pequeno, X Æ A-12, de 5 anos, se juntaram a presidente no Salão Oval.
“Que coincidência te encontrar aqui”, disse Musk, usando um boné preto com o slogan “Make America Great Again” (MAGA na sigla em inglês), Faça a América Grande Novamente em tradução literal, enquanto as câmeras se posicionavam. “Você vem aqui sempre?”
Trump é bastante conhecido por momentos constrangedores com crianças (este é o cara que disse a um menino de 7 anos que acreditar em Papai Noel era “algo marginal”), e a interação com o filho de Musk não foi diferente.

O menino começou a emitir sons para a imprensa. Trump se virou para ele. “X, você está bem? Este é o X, e ele é um ótimo rapaz. Tem um QI elevado. Ele é uma pessoa com um QI elevado”, disse o presidente.
E, talvez no momento mais inusitado, o empresário carregava o filho nos ombros enquanto um repórter o questionava sobre a alegação enganosa de que os Estados Unidos estavam enviando US$ 50 milhões em preservativos para a Faixa de Gaza.
28 de fevereiro: Trump e Vance discutem com Zelensky
As coisas não estavam nada bem quando o presidente americano, que havia prometido acabar com a guerra da Rússia na Ucrânia no “primeiro dia” de seu retorno ao cargo, recebeu o líder ucraniano Volodymyr Zelensky pouco mais de um mês depois de voltar à Casa Branca.
Após o vice-presidente JD Vance defender a diplomacia, Zelensky pareceu reagir com certa hesitação, apontando para o histórico de Vladimir Putin de quebrar acordos de cessar-fogo e sugerindo que sua palavra não era confiável.
“Que tipo de diplomacia, JD, você está defendendo?”, perguntou o ucraniano. Então Trump interveio, e a situação logo saiu do controle.
“Vocês não têm as cartas na manga agora”, disse o presidente americano. “Com a gente, vocês começam a ter as cartas na manga.”
Trump também disse que Zelensky estava “apostando com a Terceira Guerra Mundial”.
O momento marcou um ponto baixo na relação entre Trump e Zelensky. Vance atacou Zelensky por uma suposta falta de gratidão: “Você disse obrigado uma vez sequer?”, questionou Vance.
“Em toda esta reunião, você disse obrigado uma vez sequer?”. E embora as coisas tenham melhorado desde então (uma visita posterior, ainda naquele ano, correu muito melhor para Zelensky), Trump ainda parece nutrir certa cautela em relação ao seu homólogo ucraniano.
6 de maio: Trump e Carney trocam farpas sobre o Canadá como o 51º estado
Em outros governos, uma reunião na Casa Branca com o primeiro-ministro canadense talvez não tivesse causado grande repercussão — apenas dois aliados e vizinhos discutindo prioridades em comum.
Mas quando Mark Carney foi ao Salão Oval em maio, Trump foi questionado sobre seus comentários a respeito da possibilidade do Canadá se tornar o 51º estado americano. E ele não recuou exatamente, chamando a fronteira de uma “linha traçada artificialmente”.
Carney manteve sua posição e o tom foi leve: “Bem, se me permite, como você sabe no ramo imobiliário, existem alguns lugares que nunca estão à venda. Estamos morando em um deles agora mesmo”, respondeu.
E embora a situação não tenha chegado ao ponto de se agravar como aconteceu com Zelensky, Trump deixou claro que não desistiria da ideia de tornar o Canadá um estado americano.
“Nunca diga nunca”, exclamou o presidente americano.

21 de maio: Trump surpreende o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa
Quando o presidente da África do Sul Cyril Ramaphosa visitou o Salão Oval, Trump estava preparado.
Pedindo à sua equipe que diminuísse as luzes, o presidente dos EUA exibiu um vídeo de quase cinco minutos alegando genocídio branco no país de Ramaphosa em uma tela de TV colocada no fundo da sala.
“Apaguem as luzes e coloquem isso”, declarou o americano.
Ramaphosa pareceu surpreso e contestou as alegações.
10 de novembro: Trump recebe o presidente da Síria, Ahmed Al-Sharaa
Frequentemente, a Casa Branca lista um evento como “Acesso Fechado à Imprensa” em seu guia diário para jornalistas sobre o que eles poderão ver, apenas para liberá-lo momentos antes.
Mas o encontro bilateral com o presidente sírio Ahmed Al-Sharaa na Casa Branca, um evento histórico inédito, permaneceu fechado.
Embora não tenha sido um espetáculo para as câmeras como outros momentos, foi, sem dúvida, notável. O ex-membro da Al-Qaeda era procurado por uma recompensa de US$ 10 milhões, que os EUA retiraram em 2024.
Ele também liderou o grupo terrorista Hayat Tahrir al-Sham, anteriormente designado como tal pelos Estados Unidosm, antes de se tornar o novo presidente.
O secretário de Estado Marco Rubio anunciou que a designação do grupo foi retirada em julho.
18 de novembro: Trump recebe o príncipe herdeiro saudita
Em novembro, o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman fez sua primeira visita à Casa Branca desde o assassinato do jornalista do Washington Post, Jamal Khashoggi, em 2018.
Quando um repórter perguntou ao príncipe bin Salman e a Trump sobre a conclusão da CIA de que o príncipe orquestrou o assassinato de Khashoggi, Trump interveio para defendê-lo, chamando Khashoggi de “extremamente controverso”.
“Muitas pessoas não gostavam desse senhor de quem você está falando, gostem ou não dele, coisas acontecem”, disse Trump. “Mas ele não sabia de nada disso, e podemos deixar por isso mesmo. Você não precisa constranger nosso convidado fazendo uma pergunta dessas.”
O momento exemplificou o quão completamente o príncipe bin Salman havia sido reintegrado à diplomacia normal após o assassinato de Khashoggi.
Mas mesmo antes disso, o príncipe herdeiro havia sido recebido com todas as formalidades de uma visita de Estado, a mais alta forma de recepção diplomática americana.
21 de novembro: Trump e o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, foram extremamente amigáveis
Não importa que Trump o tenha ridicularizado anteriormente, chamando-o de comunista. Quando Zohran Mamdani visitou a Casa Branca após vencer a eleição para prefeito de Nova York em 2025, Trump e ele se mostraram extremamente amigáveis.
“Concordamos em muito mais coisas do que eu imaginava”, disse Trump sobre o jovem prefeito eleito que ele frequentemente tentava rotular de comunista. “Quero que ele faça um ótimo trabalho e vamos ajudá-lo a fazer um ótimo trabalho.”
Em um dos momentos mais marcantes, Mamdani foi pressionado a responder se acreditava que Trump era um “fascista” — o que ameaçava quebrar o clima descontraído. Mas Trump rapidamente interveio, desarmando o que poderia ter sido uma pergunta difícil.
“Tudo bem; ele pode simplesmente dizer que sim. É mais fácil, é mais fácil do que explicar”, brincou Trump.
15 de janeiro: Trump aceita o Prêmio Nobel da Paz das mãos de María Corina Machado
Este mês — fora do alcance das câmeras de televisão — a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, entregou a Trump o seu Prêmio Nobel da Paz no Salão Oval.
Em uma foto divulgada posteriormente pela Casa Branca, um Trump sorridente segura o prêmio emoldurado, enquanto Machado está ao seu lado.
Trump almejava o prêmio da paz há muito tempo e, embora agora o tenha em sua posse, a Fundação Nobel afirmou em um comunicado que “o prêmio permanece indissociavelmente ligado à pessoa ou organização designada como laureada pelo Comitê Nobel Norueguês”.


