O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, emitiu uma nota em defesa do ministro Dias Toffoli, que vem sendo alvo de questionamentos por seu envolvimento no escândalo do caso Banco Master. A manifestação ocorre em um momento de crescente desgaste para a imagem da Suprema Corte. Análise é de Isabel Mega..
Segundo a analista política, a nota de Fachin representa uma tentativa de blindar o STF como instituição em meio às suspeitas que recaem sobre dois de seus ministros. No documento, o presidente da Corte afirma que Toffoli vem “atuando na regular supervisão judicial da investigação sobre as fraudes financeiras” relacionadas ao Banco Master.
O posicionamento do presidente da corte chama atenção por ser uma iniciativa individual, já que a nota foi assinada apenas por Fachin e não pelo Supremo Tribunal Federal como instituição. Em ocasiões anteriores, quando a corte precisou se manifestar publicamente, as notas costumavam ser assinadas de maneira conjunta.
O caso Master tem envolvido dois ministros do STF em investigações jornalísticas. Em dezembro, as suspeitas recaíram sobre Alexandre de Moraes, devido a um contrato milionário que sua esposa mantinha com o Banco Master. Mais recentemente, Dias Toffoli passou a ser o foco das investigações, com reportagens apontando suspeitas que também alcançam familiares próximos do ministro.
Leia mais: PGR arquiva pedido da oposição para afastar Dias Toffoli de investigação do caso do Banco Master
Crise institucional e tentativa de resposta
A situação criou um cenário de desgaste interno e externo para o Supremo Tribunal Federal. Fachin, que assumiu a presidência da corte há pouco tempo, enfrenta dificuldades para encontrar um caminho que permita dar uma resposta institucional à sociedade, como a implementação de um código de conduta para os ministros.
“Toffoli enfrenta uma certa pressão para se afastar da relatoria do caso Master, mas até agora não há sinal de que isso vá acontecer”, destaca Mega. A nota de Fachin, ao mencionar diretamente o colega e sua atuação, acaba funcionando como um apoio explícito à permanência de Toffoli na condução do caso.
O contexto da manifestação também se insere em um momento delicado para o STF, que recentemente esteve envolvido no julgamento da ação penal relacionada à trama golpista. A nota de Fachin faz referências a quem “colocou em xeque instituições democráticas”, traçando um paralelo entre diferentes ameaças à estabilidade institucional do país.
“Vejo uma tentativa do ministro Fachin de formar um arquipélago, mas ainda assim pegando de surpresa uma parte do Supremo Tribunal”, avalia a analista.

