A Otan iniciou o planejamento militar para uma missão denominada de Arctic Sentry (“Sentinela do Ártico”, na tradução do inglês), disse nesta terça-feira (3) um porta-voz do quartel-general militar da aliança, o SHAPE.
“Estão em andamento os preparativos para uma atividade de vigilância reforçada da Otan, denominada Arctic Sentry”, afirmou o Coronel Martin L. O’Donnell, porta-voz do Quartel-General Supremo das Forças Aliadas na Europa, confirmando uma reportagem da revista alemã Der Spiegel.
Ele se recusou a fornecer detalhes adicionais, pois o planejamento havia acabado de começar.
A medida ocorre após as ameaças do presidente dos EUA Donald Trump de controlar a Groenlândia. Por mais que ele tenha se afastado das ameaças de força e disse que garantiu total acesso do país à ilha ártica em um acordo com a Otan, os detalhes permaneçem obscuros.
Entenda a crise na Groenlândia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou as ameaças sobre anexar a Groenlândia, uma ilha ártica semiautônoma controlada pela Dinamarca.
Ele argumenta que o território é fundamental para a estratégia militar americana, já que fica na rota mais curta da Europa para a América do Norte, o que a tornaria vital para um sistema de alerta de mísseis balísticos dos EUA.
Os Estados Unidos querem instalar radares na ilha para monitorar as águas entre a Groenlândia, a Islândia e o Reino Unido, utilizadas por navios da marinha russa e submarinos nucleares.
Mas as ameaças do líder americano têm afetado diretamente a Otan, aliança militar entre países que tanto os EUA quanto a Dinamarca fazem parte.
“Se os EUA optarem por atacar militarmente outro país da Otan, então tudo para, incluindo a própria aliança militar e, consequentemente, a segurança que foi estabelecida desde o fim da Segunda Guerra Mundial”, disse a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen.
Enquanto Trump não descarta o uso de força para conquistar a Groenlândia, alguns países europeus enviaram um pequeno número de militares para a ilha para participar de exercícios conjuntos com a Dinamarca.
Após o envio dessas tropas, o presidente dos EUA disse que vai impor tarifas contra importações de seus próprios aliados, incialmente, de 10%, mas que podem chegar a 25%.

