O Brasil tem se destacado como destino para investimentos estrangeiros nos primeiros meses de 2026, com um fluxo de capital que já supera os R$ 30 bilhões.
Segundo a especialista em Mercado de Capitais, Rita Mundim, o valor é superior ao total registrado em todo o ano de 2025, quando o volume ficou em torno de R$ 25 bilhões. Este cenário favorável para o mercado brasileiro está diretamente relacionado a mudanças no contexto global.
De acordo com Mundim, o movimento se deve principalmente à perda de credibilidade dos Estados Unidos no cenário internacional. A interferência política na gestão econômica americana, com ameaças à independência do Federal Reserve (Banco Central americano) e questionamentos sobre dados estatísticos oficiais, tem provocado uma fuga de investimentos do mercado norte-americano.
Desvalorização do dólar e busca por alternativas
O dólar tem registrado uma perda anualizada em torno de 10% em relação às principais moedas do mundo, incluindo o real brasileiro. “O dinheiro do mundo, que se sentia seguro nos títulos americanos e que se sentia seguro em reservas em dólar, começou a ir para o ouro, começou a ir para a prata, começou a buscar alternativas”, explicou Mundim.
Essa busca por alternativas acabou beneficiando economias emergentes com boa liquidez, como Brasil, Colômbia, México e Argentina. No caso brasileiro, os investimentos têm se concentrado principalmente em ações da Vale, Petrobras e bancos – empresas que apresentam resultados consistentes e operam em setores estratégicos.
Setor de serviços e economia brasileira
Paralelamente ao fluxo de investimentos estrangeiros, os dados do setor de serviços brasileiro mostram um cenário de crescimento no acumulado do ano, apesar de uma queda pontual em dezembro.
O setor registrou um acréscimo de 2,8% em 12 meses e alta de 3,4% em relação a dezembro do ano anterior, marcando o 21º mês consecutivo de crescimento na comparação anual.
A receita nominal do setor cresceu 7,7%, indicando que, mesmo com uma desaceleração, a economia brasileira segue aquecida. Entre os destaques negativos de dezembro estão os setores de transportes e armazenagem, que apresentaram queda de 3,1% e 4,9% respectivamente – um sinal de que as compras e encomendas estão se desacelerando, como esperado pelo Banco Central com a manutenção dos juros elevados.
Apesar do cenário favorável para investimentos estrangeiros, Rita Mundim alerta que esse capital é volátil e sua permanência dependerá da capacidade do Brasil de resolver questões estruturais, especialmente no campo fiscal.
“Para que esse fluxo continue ou não vá embora de uma vez, assim, rapidamente, de uma forma bem volátil, bem especulativa, aí sim nós temos que fazer o nosso para casa, que é olhar para o fiscal”, concluiu.

