O desfile em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, provocou reação imediata de aliados e opositores e já é alvo de questionamentos na Justiça Eleitoral.
Nas redes sociais e em notas à imprensa, parlamentares da oposição classificaram a apresentação como possível propaganda antecipada e crime eleitoral. Governistas, por outro lado, afirmam que se trata de uma manifestação cultural e acusam adversários de tentar censurar o carnaval.
Partidos de oposição anunciaram nesta segunda-feira (16) que vão judicializar o caso. Já há um processo aberto no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para apurar eventual prática de propaganda antecipada. A multa prevista na legislação varia de R$ 5 mil a R$ 25 mil.
Ainda assim, o partido Novo informou que pretende pedir a inelegibilidade de Lula por suposto abuso de poder político e econômico, sob o argumento de que recursos públicos teriam sido utilizados para promover a imagem do presidente.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, afirmou que vai protocolar uma ação “contra os crimes do PT na Sapucaí com dinheiro público”.
Do outro lado, integrantes do governo e do PT rejeitam qualquer irregularidade.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que a oposição tenta judicializar uma manifestação cultural ao acionar a Justiça Eleitoral contra o desfile da Acadêmicos de Niterói. Segundo ele, a apresentação foi uma “grande manifestação popular” e animou o público da Sapucaí.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, também disse que não houve ilegalidade eleitoral. Ele afirmou que a legislação é clara ao apontar como irregularidades o pedido explícito de voto e o abuso de poder econômico, o que, segundo ele, não ocorreu. “Estão tentando achar pelo em ovo. É uma forçação de barra”.
Veja abaixo outras manifestações a favor do desfile:
Michel Temer
O ex-presidente Michel Temer (MDB), citado no enredo, afirmou que não vê sentido em cobrar rigor histórico de um desfile carnavalesco. Ele relembrou que foi satirizado pela escola Paraíso do Tuiuti em 2018 e disse que a sátira política faz parte da tradição do carnaval.
Neste ano, a Acadêmicos de Niterói retratou Temer “roubando” a faixa presidencial de Dilma Rousseff, em referência ao processo de impeachment de 2016. “A sátira política é parte da tradição do carnaval. E como defensor da liberdade de expressão e da liberdade artística, não julgo as escolhas feitas como tema na avenida”, afirmou.
Paulo Teixeira
Nas redes sociais, o ministro do desenvolvimento agrário Paulo Teixeira afirmou que a Sapucaí testemunhou “a história viva passando pela avenida”.
“Ontem a Sapucaí testemunhou um grande desfile em homenagem ao presidente Lula. Foi a história viva passando pela avenida, diante dos olhos de todo o País. Emocionante demais!”
Humberto Costa
O senador do PT, disse que a escola narrou a trajetória de um “nordestino que dedicou a vida ao povo”.
“Quem passou fome, hoje alimenta a alma do Carnaval. A Acadêmicos de Niterói narra a história desse nordestino que dedicou a vida ao povo. É emoção que não acaba mais!”, escreveu no X.
Veja abaixo outras manifestações contra o desfile:
Michelle Bolsonaro
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) também se manifestou. Um dos carros alegóricos mostrava o palhaço Bozo atrás das grades, com roupa de presidiário e tornozeleira eletrônica. Ao repostar a imagem, Michelle afirmou que Lula é quem foi preso por “corrupção” e escreveu: “Isso é registro judicial, não opinião”.
Rogério Marinho
Líder da oposição no Senado, Rogerio Marinho criticou o desfile e afirmou que transformar a escola de samba em “palanque político” ultrapassa limites e afronta a ética e o equilíbrio democrático.
“Se qualquer outro agente político promovesse ato semelhante, a reação institucional seria imediata. A lei não pode ter destinatário escolhido. Não aceitaremos a normalização do uso indireto de eventos culturais de grande projeção como instrumento de promoção pessoal e eleitoral”, disse.
Coronel Zucco
O deputado federalZucco (PL-RS) divulgou nota sobre o caso e afirmou que o enredo e a presença de Lula no desfile cria “indícios que merecem apuração quanto à possível promoção eleitoral antecipada”.
“Serão analisadas, com responsabilidade jurídica, medidas cabíveis junto aos órgãos competentes, incluindo a Justiça Eleitoral e demais instâncias de controle”, escreveu.

