O governo federal anunciou a destinação de R$ 200 milhões para apoiar projetos inovadores ligados à produção nacional de minerais críticos e ao avanço de etapas industriais mais sofisticadas da cadeia produtiva, como a fabricação de ímãs de terras raras, o refino desses minérios estratégicos e a produção de componentes para baterias.
A iniciativa integra a nova rodada do programa Finep Mais Inovação Brasil, voltado ao financiamento de pesquisa, desenvolvimento e inovação conduzidos por empresas brasileiras em parceria com instituições científicas e tecnológicas.
O edital não prevê financiamento para projetos que se limitem ao processamento básico do minério.Play Video
Ficam de fora, por exemplo, iniciativas que envolvam apenas etapas tradicionais da mineração, como britar, moer ou peneirar o material, concentrar o teor do mineral útil ou realizar separações físicas que não alterem a composição química da substância.
Essas operações são classificadas como beneficiamento comum, capaz de melhorar a qualidade do minério, mas sem gerar um novo produto ou promover transformação tecnológica relevante.
A mesma lógica se aplica às terras raras em argilas iônicas: propostas que apenas concentrem quimicamente os elementos, sem realizar a separação individual, como neodímio, praseodímio ou disprósio, também não são elegíveis.
Na prática, o financiamento é direcionado a projetos que avancem além do processamento primário, com foco em transformação mineral, desenvolvimento tecnológico e produção de compostos, metais ou produtos finais, e não apenas na extração ou concentração do minério.
O objetivo é ampliar a capacidade industrial do país, reduzir dependências externas e acelerar a transição energética.
Os recursos tentam atacar um dos principais gargalos do setor mineral no Brasil: o alto custo de capital necessário para transformar descobertas geológicas em produção industrial.
Esse obstáculo é ainda mais relevante para empresas nacionais de pequeno e médio porte, que enfrentam maior dificuldade de acesso a financiamento de longo prazo para projetos tecnológicos e de maior risco.
Embora represente um movimento relevante de política industrial, os R$ 200 milhões anunciados ainda são considerados modestos diante da dimensão financeira exigida pela indústria de minerais críticos.
Projetos de terras raras, lítio ou níquel costumam demandar centenas de milhões a bilhões de reais para sair da fase piloto e atingir escala comercial.
Apenas uma planta de separação de terras raras pode custar mais de US$ 100 milhões, dependendo da capacidade instalada e do nível tecnológico envolvido.
Grandes economias como Estados Unidos, China e países da União Europeia têm mobilizado bilhões de dólares em subsídios e linhas de financiamento para fortalecer suas cadeias estratégicas.

