Pescadores, compradores, representantes do poder público e instituições parceiras participaram do Encontro de Negócios da Pesca do Mapará 2026, realizado na comunidade Cristo Rei, no entorno do Lago dos Reis, no município de Careiro da Várzea (AM). A reunião definiu o valor mínimo de R$ 4,00 por quilo do pescado, referência para as negociações durante a temporada de pesca, que começa em 16 de março, logo após o período de defeso da espécie.
O encontro integra uma série de ações de organização da Pesca Ordenada do Mapará no Lago dos Reis e reuniu representantes de sete comunidades envolvidas diretamente na atividade, com três pescadores indicados por cada localidade, além de representantes de embarcações compradoras e frigoríficos. Durante a reunião, foram discutidos temas como formação de preço, logística de comercialização, segurança durante as transações e cumprimento das regras de pesca.
A iniciativa é realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Amazonas (Sebrae/AM), em parceria com a Prefeitura de Careiro da Várzea e a Secretaria Municipal de Pesca e Aquicultura do Careiro da Várzea, com apoio de instituições estaduais.
Segundo o gestor do Projeto de Pesca do Sebrae Amazonas, Leocy Cutrim, o encontro fortalece o diálogo entre pescadores e compradores e contribui para garantir mais segurança e transparência na comercialização do pescado.
“Esse momento reúne quem participa da compra do pescado dentro do lago. É onde eles discutem melhorias na comercialização e definem o valor mínimo do quilo do peixe. Esse preço serve como referência para todos que participam da compra durante a temporada, garantindo mais equilíbrio nas negociações”, explicou.
Cutrim destacou ainda que a pesca do mapará no município apresenta um diferencial importante pela organização construída ao longo dos últimos anos, com cadastro de pescadores, definição de regras e participação das comunidades no processo de decisão. Além disso, o pescado capturado na região é comercializado para diferentes mercados, inclusive fora do Brasil, embora muitos compradores finais ainda não conheçam o processo que acontece nas comunidades.
“Aqui existe um trabalho estruturado de ordenamento da atividade. A gente precisa divulgar mais essa pesca e mostrar que existe um sistema organizado, com regras, cadastro de pescadores e acompanhamento institucional, o que pode contribuir para agregar valor a esse produto amazônico”, afirmou.
Como parte dessa estratégia de valorização e divulgação, o gestor informou que a experiência da Pesca do Mapará será apresentada em outubro durante a Seafood Show Latin America, uma das principais feiras internacionais do setor pesqueiro, realizada em São Paulo. A proposta é levar representantes da atividade para mostrar ao mercado como funciona o modelo de pesca organizada desenvolvido nas comunidades do Lago dos Reis.
Regras e planejamento da pesca
O analista ambiental Gelson Batista, do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), destacou que a definição de regras antes do início da temporada é fundamental para garantir que a pesca ocorra dentro das normas ambientais e de forma sustentável.
“É fundamental ter regras e organização definidas antes da pesca começar. Existe um planejamento que acontece ao longo do ano para que pescadores, órgãos e instituições saibam exatamente o que deve ser feito durante a atividade”, explicou.
Segundo ele, o processo de construção dos acordos de pesca fortalece o ordenamento da atividade, garante respaldo às ações de fiscalização ambiental, captura responsável, preservação dos estoques pesqueiros e geração de renda para as comunidades do Lago.
Durante o encontro, representantes da Câmara Municipal do Careiro da Várzea também reforçaram o apoio do poder público às decisões construídas com os pescadores e destacaram a importância do manejo responsável do recurso pesqueiro, especialmente no respeito ao tamanho adequado do peixe capturado, fator que influencia diretamente no valor de comercialização do mapará.
Pescadores presentes no encontro também apresentaram sugestões para aprimorar a atividade, como o reforço da fiscalização para evitar descarte irregular de pescado nas margens do lago e a presença direta dos compradores nas negociações. Representantes das embarcações compradoras ressaltaram a necessidade de maior segurança durante o período da pesca, devido à circulação de dinheiro nas transações realizadas dentro do lago.
O secretário municipal de Pesca e Aquicultura, Mozamir Alves, destacou que as discussões fazem parte de um processo contínuo de aprimoramento da atividade, que chega ao sexto ano de organização no município, com participação das comunidades, instituições e órgãos de fiscalização.
O Encontro de Negócios representa a terceira etapa da organização da Pesca do Mapará. Antes dele, foram realizadas oficinas de ordenamento pesqueiro nas comunidades e o cadastro oficial de pescadores e embarcações, conduzido pelas secretarias municipais.

