Um acidente ocorrido durante o processo de perfuração da Petrobras na Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, vai paralisar as atividades no poço por um período entre 10 e 15 dias. O incidente aconteceu na tarde de terça-feira (6), quando houve o vazamento de um fluido utilizado na operação de perfuração.
De acordo com informações apuradas, o problema foi detectado quando as equipes identificaram perda de volume no tanque onde o líquido fica armazenado. Após realizarem diligências em superfície sem encontrar anormalidades, um robô controlado remotamente foi enviado a cerca de 2.700 metros de profundidade, onde foi constatado o vazamento de aproximadamente 14 metros cúbicos do fluido, o equivalente a 14 mil litros.
Não se trata de vazamento de óleo, mas sim de um fluido de perfuração utilizado para lubrificar a broca e controlar a pressão do poço durante as operações. O local do acidente fica a aproximadamente 173 quilômetros da costa do Amapá e a 495 quilômetros da Foz do Amazonas.
Preocupações ambientais
A região da Foz do Amazonas é considerada uma área de grande potencial petrolífero, mas também ambientalmente sensível. A licença para exploração na área foi concedida pelo Ibama após um longo e rigoroso processo de avaliação, que incluiu exigências de um plano robusto de salvamento de fauna em caso de acidentes.
Enquanto a Petrobras minimizou o ocorrido, afirmando que se trata de um evento que pode acontecer durante perfurações e que o fluido vazado é biodegradável e não tóxico, fontes do corpo técnico do Ibama consideram o incidente um sinal de alerta. O acidente ocorre poucos meses após a liberação para o início da exploração na região, reacendendo o debate sobre os riscos ambientais da atividade petrolífera em áreas sensíveis.

