As buscas por Roberto Farias Thomaz, de 20 anos, seguem ativas no Pico Paraná, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. O jovem está desaparecido desde a manhã de quinta-feira (1º), após iniciar uma trilha acompanhado de uma amiga. O Corpo de Bombeiros atua na região desde então e deve retomar os trabalhos nesta segunda-feira (6), a partir das 7h.
A amiga do jovem, Thayane Smith, publicou uma série de vídeos nas redes sociais desde o início da trilha, registros que passaram a circular amplamente após o desaparecimento.
Em uma das postagens, ela afirmou que divulgará a “história completa” após o fim das buscas e descreveu a experiência como marcada por “vistas lindas” e o “nascer do sol do maior pico do Sul”.

Nos vídeos, Thayane aparece ao lado de Roberto e de outras pessoas ainda durante o trajeto, inclusive em um ônibus, comentando que passariam a virada do ano acampados na montanha.
Há também registros da chegada ao local e da progressão da trilha. Em uma gravação publicada já no dia 1º de janeiro, ela relata a dificuldade do percurso. “Falaram que era 5, 6 horas de viagem. Se passaram 4 horas e chegamos na metade”, diz. A partir desse vídeo, Roberto não volta a aparecer nas imagens.
Em outro registro, Thayane alerta para os riscos da trilha. “A trilha é muito difícil. Isso aqui é pra disposição, pra quem é aventureiro. É a nossa vida em risco”, afirma. Em vídeos seguintes, ela aparece sorrindo já no pico da montanha.

Quando as buscas por Roberto já tinham começado, em um story, ela publicou uma foto com uma frase: “Interrogações, investigações, eita 2026 kkkkk. Feliz Ano Novo”, seguido de um emoji de risada. Em outra publicação ela escreveu: “Aprendizado, nunca mais andar com alguém que não é experiente em trilhas, não é seu estilo de vida e não tem pique para isso”

Repercussão e acusações
Após a repercussão do caso, as publicações passaram a receber comentários com questionamentos e suposições sobre o desaparecimento. Familiares pedem cautela e afirmam que qualquer investigação cabe exclusivamente às autoridades.
Em uma publicação nas redes sociais, Raul Farias Batista, primo de Roberto, pediu que as pessoas não levantem acusações contra a amiga que estava com ele. “O foco não pode ser esse. A Polícia Civil já está investigando o caso e confiamos no trabalho deles. Temos fortes motivos para acreditar que o Betinho está ‘apenas’ perdido e com vida no meio da mata”, escreveu.
A família também criou uma página oficial para centralizar informações sobre o caso, que já ultrapassa 160 mil seguidores. Em uma das postagens, os parentes alertam para o surgimento de perfis falsos, publicações inverídicas e possíveis golpes.
Segundo a família, um advogado foi constituído para tomar as medidas legais cabíveis e denúncias devem ser feitas contra contas que peçam doações ou Pix em nome do desaparecido.
Em outra publicação, a família reforçou que as buscas continuam e pediu apoio de montanhistas experientes. “As buscas ainda estão ativas e temos fé de encontrá-lo. A equipe de bombeiros do GOST e do COSMO estão nos ajudando, mas a região do Pico Paraná é muito grande e de difícil acesso e visibilidade”, diz o texto. O apelo é direcionado a voluntários com experiência em trilhas e montanhismo na região.
Irmã de Juliana Marins faz apelo
O caso também mobilizou familiares de vítimas de acidentes semelhantes. Mariana Marins, irmã de Juliana Marins — jovem que morreu em junho de 2025 após cair de um penhasco durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia — fez um apelo público. “Jamais deixem uma pessoa sozinha. Ninguém pode ficar para trás. A vida de todo mundo que está nessa trilha importa”, afirmou.
Segundo o Corpo de Bombeiros, Roberto e a amiga iniciaram a subida na tarde do dia 31 de dezembro. Durante o trajeto, o jovem teria passado mal e vomitado algumas vezes.

A dupla chegou ao topo por volta das 4h da manhã de quinta-feira e encontrou outros dois grupos no local. Cerca de duas horas depois, começaram a descer acompanhados de um dos grupos, mas pararam em determinado ponto da trilha.
Pouco tempo depois, o segundo grupo que havia permanecido no cume passou pelo local onde Roberto teria ficado, mas não o encontrou. Ainda na tarde de quinta-feira, os bombeiros foram acionados e deram início às buscas, que seguem concentradas em áreas de mata fechada e de difícil acesso.
Buscas seguem
Nas redes sociais, o perfil de Roberto indica que ele atuava como técnico de segurança do trabalho, bombeiro civil, socorrista resgatista, consultor financeiro de investimentos e instrutor de NR-11.
A Polícia Civil investiga o caso, enquanto os bombeiros seguem com as operações de busca e salvamento no Pico Paraná.

