Incêndio em 2018 destruiu 85% do acervo, que incluía documentos, objetos, fósseis, múmias, mobiliário, coleções de arte e estudos científicos. Obras de recuperação começaram em 2021, e a previsão é que o espaço seja reaberto em 2026.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou, no começo da tarde desta quarta-feira (2), um novo investimento de R$ 50 milhões na reconstrução do Museu Nacional.
O local passa por obras de recuperação após ter sido destruído por um incêndio de grandes proporções em 2018.
“O Museu Nacional tem um papel fundamental do reconhecimento do Brasil profundo e secular. Aqui estavam expressões importantes do que somos como brasileiros. É importante recuperar e entregar o museu Nacional o mais rápido possível”, afirmou Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.
Deste valor, pelo menos R$ 2,5 milhões devem ser liberados imediatamente para os trabalhos. Os recursos vão permitir a restauração do fóssil de Luzia, fóssil humano mais antigo do Brasil que despareceu nos escombros.
Alexander Kellner, diretor do Museu Nacional, destacou a importância da doação do banco e da ajuda de uma rede de parceiros no processo de reconstrução da instituição.
“Estamos trabalhando para que, em 2026, consigamos cumprir a nossa promessa de reabrir o museu e os jardins para a população”, disse Kellner.
O esqueleto de uma baleia cachalote de mais de 15 metros deve ficar exposto para visitação a partir de 5 de junho.
Mercadante afirmou que o BNDES negocia com a Febraban a doação de bancos privados para a instituição. Segundo ele, pelo menos mais R$ 18 milhões em recursos devem ser doados.
Os estudos estão sendo retomados em um laboratório do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), por alunos de mestrado e doutorado da Universidade Federal do Rio.
Um deles é Pedro Luiz Von Seehausen, arqueólogo que fazia pesquisas no Museu Nacional desde 2012. Agora ele tem uma nova tarefa: catalogar todas as peças da coleção egípcia que foram escaneadas ou tomografadas.
“Para começar a fazer inventário, o que a gente tem escaneado, o que a gente tem microtipado, foi importante ter acesso a este espaço”, diz ele.
Os arquivos 3D do acervo do museu nacional começaram a ser produzidos há mais de quinze anos, numa parceria com o INT e a PUC-Rio. O objetivo era justamente preservar essa memória caso alguma peça fosse perdida.
“É um acervo que vai tentar ressurgir do pó, né? Porque é feito em pó, pó de nylon, a matéria prima é pó”, explica Jorge Lopes, pesquisador do INT/PUC-Rio.
Com a ajuda da tecnologia, muitas peças destruídas no incêndio vão poder ganhar forma e rosto novamente. Foi assim com Luzia. O crânio e o rosto do fóssil humano mais antigo da américa do sul já estão impressos.
“Nós sabíamos que tínhamos tomografado, a cabeça, o crânio da Luzia, mas o rosto, essa reconstrução facial, que foi feita por um pesquisar inglês chamado Richard Nive, a gente nem lembrava que tinha escaneado”, conta Lopes.