O cenário da educação básica no Brasil em 2025 é marcado por um recuo histórico. Com um total de 46 milhões de alunos matriculados, o país registrou uma queda de 2,3% em relação ao ano anterior — o declínio mais acentuado dos últimos dez anos.
Os números fazem parte do Censo Escolar 2025, apresentado pelo MEC (Ministério da Educação) na manhã desta quinta-feira (25) em entrevista coletiva realizada em Manaus (AM). Os indicativos foram levantados pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), autarquia ligada à pasta.
Esse movimento foi impulsionado, principalmente, pelo encolhimento expressivo no ensino médio, que viu seu número de estudantes reduzir 5,4% em apenas um ano.
Dois estados, no entanto, indicaram números positivos em relação ao índice de matrículas: Roraima e Santa Catarina conseguiram apresentar crescimento no total de suas redes.
Em meio à tendência de retração observada pelo censo, sete estados — São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pará, Paraná e Pernambuco — responderam por 75% da queda total de matrículas. São Paulo lidera esse índice negativo, sendo sozinho responsável por 37,2% da redução nacional.
Queda de matrículas no ensino médio
Os números mostram que, em 2024, o Brasil tinha 6,7 milhões de alunos matriculados no ensino médio da rede pública. Um ano depois, o censo indica 425 mil matrículas a menos, totalizando recuo para 6,3 milhões de estudantes. Rio Grande do Sul, Pará, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo são os estados que tiveram maior redução do número de matrículas, segundo o documento.
Lupa sobre dados
O detalhamento dos números, no entanto, traz uma camada de interpretação que vai além da simples evasão. Segundo Fábio Pereira Bravin, coordenador-geral de controle de qualidade e de tratamento da informação do Inep, a redução no ensino médio é um reflexo direto da correção de fluxo e da demografia.
Bravin afirma que a queda na população em idade escolar, somada à redução da retenção (menos alunos repetindo de ano), indica um sistema mais ágil: “Provavelmente eles progrediram e concluíram a educação básica”, afirmou.
Mais do que o volume de alunos, o Inep agora estreia uma lupa sobre a qualidade dessa formação. Pela primeira vez, o Censo Escolar sistematizou dados que permitem rastrear os itinerários formativos — tanto os de aprofundamento quanto o técnico-profissional.
Na visão de Bravin, essa modelagem é um divisor de águas estatístico: “Agora conseguimos olhar para o aluno do ensino médio e entender, de fato, o que ele está cursando”, disse o coordenador, destacando que 2024 marca o primeiro ano de monitoramento minucioso dessa nova arquitetura do ensino brasileiro.
Redução não compromete acesso à sala de aula, defende MEC
Em sintonia com a análise técnica de Bravin, o ministro da Educação, Camilo Santana, reforçou que a oscilação nos registros não compromete a universalização do ensino.
“O atendimento à educação básica permanece em um patamar superior a 90%. É preciso deixar claro que a redução no número de matrículas é um reflexo direto da mudança demográfica e do ajuste de fluxo, mas o acesso está garantido”, explica.
Queda na primeira infância
Além disso, o sinal de alerta acende para a primeira infância. Pela primeira vez desde o período da pandemia, as matrículas em creches estagnaram, totalizando cerca de 4,18 milhões de registros. A situação é ainda mais crítica na pré-escola, que teve uma redução de 3,8% no número de alunos em comparação a 2024.
Aumento de matrículas em tempo integral
Na contramão da queda geral, o setor público respira com o aumento das matrículas em tempo integral e a expansão contínua da EPT (Educação Profissional e Tecnológica). O ensino técnico, inclusive, atingiu novamente o maior patamar de sua série histórica, consolidando-se como uma tendência de escolha entre os jovens.

