O ex-CEO da Hurb, João Ricardo Rangel Mendes, foi preso na noite desta segunda-feira (5), no Aeroporto Regional de Jericoacoara, na comunidade de Cajueirinho, no litoral do Ceará, por uso de documento falso. A informação foi confirmada à CNN Brasil na manhã desta terça-feira (6).
Segundo a Polícia Militar do Ceará, a ação aconteceu depois da equipe de segurança aeroportuária e funcionários de uma companhia aérea identificarem a suspeita de irregularidade durante o embarque de João Ricardo.
Os policiais militares foram acionados para verificar a situação do ex-CEO, que tentava embarcar em um voo com destino para Guarulhos (SP). No local, a corporação identificou o documento falso e deu voz de prisão ao suspeito, que usava uma tornozeleira eletrônica descarregada no momento da abordagem.
João foi levado à Delegacia Regional de Acaraú e autuado por uso de documento falso. A CNN Brasil tenta contato com a defesa do ex-CEO e o espaço segue aberto para manifestações.
Furtos de obras de arte
No início do ano passado, ele já havia sido preso por furtar obras de arte de um hotel de luxo e de um escritório de arquitetura localizados na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.
À época, as investigações da polícia apontaram que o ex-CEO, de 44 anos, cometeu dois furtos distintos. O primeiro teve como alvo um hotel de alto padrão na Barra da Tijuca, e o segundo, um escritório de arquitetura situado em um shopping center do mesmo bairro.
Quem é o ex-CEO
Mendes é o fundador da plataforma de turismo Hurb (anteriormente conhecida como Hotel Urbano), criada em janeiro de 2011. Sua trajetória à frente da empresa foi marcada por controvérsias, que culminou em sua renúncia ao cargo de CEO em abril de 2023.
A saída ocorreu em meio a uma crise de imagem por reclamações de clientes sobre cancelamentos de reservas e problemas financeiros da empresa. A situação se agravou após acusações de que Mendes insultou e ameaçou expor dados pessoais de clientes insatisfeitos nas redes sociais.
Em carta de renúncia, o empresário admitiu seus erros, e afirmou que a decisão de se afastar visava separar sua imagem pessoal da empresa e mencionou a morte de sua mãe como um fator que contribuiu para seu comportamento.
Antes de fundar a Hurb, um de seus primeiros empreendimentos foi uma barraca de bebidas na praia. Ele também iniciou o curso de direito, mas não o concluiu.
Além da crise de relacionamento com os clientes, Mendes e a Hurb foram convocados a depor na CPI das Pirâmides Financeiras por acusações de utilizar o dinheiro dos clientes como capital de giro e de não cumprir contratos. Eles não compareceram à sessão inicial da CPI.
Hurb
Em abril de 2023, após a divulgação de relatos de clientes xingados online, João Ricardo Rangel Mendes renunciou ao cargo de CEO. Em carta divulgada na época, Mendes reconheceu seus erros e afirmou que o afastamento visava separar sua imagem pessoal da empresa. Ele mencionou a morte de sua mãe como um fator que contribuiu para seu comportamento agressivo.
O pedido de renúncia aconteceu em um período de crescente insatisfação dos consumidores, que relatavam cancelamentos de reservas em hotéis e pousadas devido a problemas financeiros da companhia. Vídeos e prints de conversas nas redes sociais expuseram o comportamento agressivo de Mendes com clientes, incluindo a divulgação de dados pessoais e xingamentos.
Em 17 de abril, o Ministério do Turismo cancelou o cadastro da empresa Hurb no Cadastur, o que a impede de operar no setor turístico. A decisão foi motivada por denúncias de descumprimento contratual e um grande volume de reclamações de consumidores nas esferas administrativa e judicial.
A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) também determinou que a Hurb apresentasse informações detalhadas sobre sua situação financeira, incluindo o número de contratos pendentes e o valor total devido aos clientes afetados. A Senacon considerou a atuação da empresa inviável operacional, técnica e financeiramente, após 12 meses de tentativas de acordo.
Em nota pública, a Hurb alegou ter sido surpreendida pela medida do Ministério do Turismo, classificando-a como “mais política do que técnica” e acusando a Senacon de abandonar as negociações. Atualmente o site da Hurb está fora do ar.

