Ao menos 35 policiais foram presos em três dias, durante uma série de operações contra corrupção, milícias e facções criminosas no estado do Rio de Janeiro. As ações foram conduzidas por forças de segurança e órgãos de investigação da PF (Polícia Federal), do MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) e da PCERJ (Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro).
As prisões ocorreram entre segunda-feira (9) e quarta-feira (11), e atingiram agentes suspeitos de atuar em esquemas de corrupção, proteção a atividades ilegais e colaboração com organizações criminosas.
Operação Anomalia
Parte das prisões ocorreu durante três fases da Operação Anomalia, realizada pela PF. A investigação mirava uma organização criminosa formada por agentes públicos e operadores financeiros que atuavam para favorecer facções do tráfico e milícias no estado. Durante as ações, foram cumpridos 14 mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão na capital e na Região Metropolitana do Rio.
Entre os presos estão um delegado da Polícia Federal, um delegado da Polícia Civil, dois policiais civis e sete policiais militares, além de outros investigados.
Segundo a corporação, o grupo utilizava informações privilegiadas e influência dentro do aparato estatal para beneficiar criminosos e obter vantagens financeiras. Durante as diligências, foram apreendidos cerca de R$ 50 mil em espécie, armas, munições, celulares, um veículo e documentos.
Policiais suspeitos de extorquir facção
Em outra fase da operação, três policiais também foram presos sob suspeita de extorquir integrantes do CV. As investigações apontam que os agentes pressionavam faccionados para receber propina em troca de omissão em operações policiais.
Ainda conforme a PF, o esquema envolvia intermediários e uma rede de empresas usadas para ocultar valores obtidos ilegalmente por meio de lavagem de dinheiro.
Os investigados apresentariam movimentação patrimonial milionária incompatível com os salários de servidores públicos.
Policiais ligados ao jogo do bicho
Outra ação, conduzida pelo Ministério Público do Rio, teve como alvo uma rede ligada ao bicheiro Rogério de Andrade, considerado um dos principais nomes do jogo do bicho no estado.
Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), policiais atuavam na segurança de pontos de exploração ilegal de jogos de azar na região de Bangu, na Zona Oeste do Rio.
Ao todo, 19 agentes foram denunciados, entre policiais militares, penais e um policial civil aposentado e 15 mandados de prisão foram cumpridos, outros quatro policiais seguem foragidos.
As investigações indicam que os agentes utilizavam a condição de servidores públicos para garantir o funcionamento das atividades ilegais e evitar ações de fiscalização.
Policiais presos em operação contra o CV
Em outra investigação conduzida pela Polícia Civil, um vereador e seis policiais militares foram presos durante uma operação contra o CV.
O parlamentar Salvino Oliveira (PSD) é suspeito de negociar com o traficante Edgar Alves de Andrade autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, área dominada pela facção.
Segundo a investigação, o acordo teria envolvido promessas de benefícios à comunidade definidos diretamente por integrantes do grupo criminoso, o que, segundo a polícia, teria o objetivo de transformar territórios controlados pela facção em bases eleitorais.
A imprensa aguarda retorno do contato com as polícias do estado do Rio de Janeiro e com a Polícia Federal. O espaço segue aberto para manifestações.

