A exumação dos corpos dos cinco integrantes dos Mamonas Assassinas ocorre nesta segunda-feira (23), em Guarulhos, na Grande São Paulo. A informação foi antecipada pelo colunista Ancelmo Gois e faz parte do projeto de criação de um memorial vivo em homenagem à banda. A cerimônia de inauguração do espaço, aberto ao público e gratuito, está prevista para ocorrer ao longo desta semana, às vésperas dos 30 anos do acidente que matou o grupo.
A iniciativa é resultado de uma parceria entre as famílias dos músicos e o BioParque Cemitério de Guarulhos. O projeto prevê a cremação de uma pequena parte dos restos mortais, que será transformada em adubo para o plantio de cinco árvores, uma para cada integrante. O espaço será aberto ao público e gratuito.
Segundo Jorge Santana, primo de Dinho e CEO da marca ligada à banda, a proposta foi discutida e aprovada por todos os familiares. Ele afirma que cada família participou das decisões relacionadas à homenagem.
— O espaço tem toda uma simbologia. Vai ter totens, atividades, QR code, um “cantinho Mamonas”. Vai continuar tudo gratuito, não terá nenhuma taxa. Os túmulos continuam existindo, assim como as árvores. A parte da campa vai permanecer; só vai existir também esse memorial, um espaço muito bem cuidado, com bancos e locais para os fãs deixarem mensagens — disse ao O GLOBO.
Como será o memorial
O memorial será instalado atrás dos túmulos onde os músicos estão enterrados. As sepulturas serão preservadas e continuarão abertas para visitação. Apenas uma pequena parte das cinzas será usada no projeto ambiental.
Conforme o BioParque, a homenagem segue um processo específico. Primeiro, a família escolhe a espécie da árvore que representará o homenageado. Depois, as cinzas são colocadas em uma urna biodegradável junto com a semente selecionada. A partir daí, o desenvolvimento da planta pode ser acompanhado por uma plataforma digital desde a germinação. Quando crescer, a árvore será plantada no espaço do memorial.
Cada árvore terá identificação e um totem com QR code, reunindo fotos, vídeos e relatos sobre os integrantes. A proposta é transformar o local em um ponto de encontro para fãs e visitantes.
Espaço aberto aos fãs
Segundo Jorge Santana, o local foi pensado para ser um memorial permanente e acessível.
— Vai ser o primeiro memorial vivo. As plantas terão o nome de cada um deles e cada família respondeu pelo seu ente querido. Não houve antecipação da decisão; todos concordaram com a homenagem — afirmou.
O espaço contará com bancos, totens interativos e áreas para que visitantes deixem mensagens ou recordações. A ideia é criar um ambiente de memória coletiva e celebração da história da banda.
Tragédia que marcou o país
Os Mamonas Assassinas estavam no auge do sucesso quando morreram em um acidente aéreo na Serra da Cantareira, na noite de 2 de março de 1996. O avião em que viajavam colidiu com a montanha durante a aproximação para pouso no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Estavam a bordo o vocalista Dinho (Alecsander Alves), Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli, além de integrantes da equipe e da tripulação. Todos morreram.
A tragédia provocou forte comoção nacional. Cerca de 30 mil pessoas passaram pelo velório em Guarulhos e mais de cem mil acompanharam o cortejo até o cemitério. O grupo havia lançado apenas um álbum, mas alcançara enorme popularidade, vendendo milhões de cópias e conquistando principalmente o público jovem.
A organização do memorial informou que novos detalhes sobre a cerimônia de inauguração, incluindo horários e datas exatas para visitação dos fãs, serão divulgados ao longo da semana.

