A abertura da exposição “Raízes do Sagrado”, na tarde de quinta-feira (26/02), na Galeria do Largo, reuniu representantes de diversas tradições religiosas, movimentos sociais e o público interessado em refletir sobre respeito, diversidade e convivência. A exposição gratuita, que segue aberta para visitação até o dia 26 de março, é promovida pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa.
A Galeria do Largo funciona de quarta-feira a domingo, das 15h às 20h. O espaço administrado pela Secretaria de Cultura foi criado visando receber exposições de diferentes artistas, da capital e interior, relacionados às artes visuais, englobando a arte clássica, urbana e contemporânea.
Logo na entrada, visitantes recebem panfletos e uma cartilha educativa de letramento racial com informações sobre intolerância religiosa e sobre a proposta da mostra, que busca ampliar o conhecimento e combater o preconceito por meio da informação.


A programação teve início com uma vivência de musicalidade da capoeira conduzida por Cristiano Corrêa, conselheiro do Conselho Estadual de Política de Promoção da Igualdade Racial do Amazonas (CEPPIR). Em seguida, autoridades e instituições parceiras realizaram falas institucionais, destacando a importância de iniciativas que promovam o diálogo e a valorização da diversidade religiosa.
Um dos momentos centrais foi a roda de conversa mediada por Ekedi Carla Canori, presidente do Instituto Eruexim. O espaço reuniu representantes de diferentes frentes religiosas em um diálogo marcado pelo respeito, escuta e troca de experiências entre crenças distintas.
A programação seguiu com a apresentação cultural do grupo Águas de Oxalá, que conduziu um cortejo até o espaço expositivo, apresentando elementos simbólicos das religiões participantes e reforçando a dimensão cultural e espiritual presente na mostra.
O evento integra a Semana de Combate à Intolerância Religiosa e tem como objetivo promover o diálogo entre diferentes crenças e fortalecer o respeito à diversidade de fé e de credo. A exposição tem como público-alvo a sociedade civil, estudantes do ensino médio e universitários, servidores públicos, órgãos estaduais e representantes de diferentes denominações religiosas.

Instituída em alusão à Lei Ordinária nº 6.051, de 24 de novembro de 2022, a ação busca ampliar a reflexão sobre a pluralidade religiosa no estado, sensibilizando a população para o enfrentamento da intolerância e a valorização da liberdade de crença.
De acordo com Letícia Alves, gerente de Igualdade Racial e Religiosa da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejusc), a exposição está em sua segunda edição e tem como objetivo promover o encontro entre diferentes tradições de fé.
“‘Raízes do Sagrado’ é uma exposição que apresenta os símbolos e elementos religiosos que fazem parte da nossa sociedade amazonense. Ela integra a implementação da Lei Estadual nº 6.051, que institui a Semana de Combate à Intolerância Religiosa, e promove o encontro entre religiões de matriz africana, espiritismo e catolicismo, além dos movimentos sociais”, destacou a gerente da Sejusc.
A gestora reforçou ainda que a iniciativa atua como ferramenta de conscientização, diante do aumento de casos de preconceito.
“Hoje, ainda existem muitas pessoas que sofrem perseguição por sua fé. A intolerância religiosa é crime e precisa ser combatida com informação e diálogo. Esse encontro é uma forma de mostrar que todos podem caminhar juntos no respeito”, avaliou.
Entre os visitantes, a estudante de Design de Moda Isabelle Monteiro afirmou que a experiência foi marcante. “Eu vim por causa de um trabalho da faculdade, mas também por interesse pessoal. Tenho curiosidade sobre as religiões de matriz africana e estou achando tudo muito bonito e interessante. É importante que o público tenha acesso a esse tipo de conhecimento, principalmente num momento em que a intolerância religiosa cresce”, declarou Isabelle.
A exposição integra as ações do Governo do Amazonas na promoção da igualdade racial e reforça que a intolerância religiosa é crime previsto na legislação brasileira, podendo ser enquadrada na Lei nº 7.716/89, que trata dos crimes resultantes de preconceito, incluindo discriminação por religião.

