A primeira noite do Carnaval na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, ficou marcada pela reverência a personalidades brasileiras e exaltação às manifestações da cultura de matriz africana.
Quatro agremiações — Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira — cruzaram a passarela do samba entre a noite de domingo (15) e a madrugada desta segunda-feira (16).
Homenagem a Lula
A abertura ficou por conta da Acadêmicos de Niterói, estreante na elite do samba carioca. Com o enredo “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”, a escola narrou a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O desfile percorreu desde a infância no sertão de Pernambuco e a migração da família liderada por Dona Lindu, até à ascensão política no ABC Paulista.
A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, não desfilou e foi substituída pela cantora Fafá de Belém. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou presença em um dos camarotes do sambódromo, onde foi recebido pelo prefeito Eduardo Paes (PSD). Lula desceu até a avenida e chegou a beijar a bandeira da escola.
Vida e obra de Ney Matogrosso
A Imperatriz Leopoldinense, que entrou para superar o terceiro lugar do ano anterior, levou para a avenida o enredo “Camaleônico”, uma celebração à vida e obra de Ney Matogrosso. A escola apostou em efeitos visuais impactantes, lançando mão de truques de ilusionismo na comissão de frente com diversos “clones” do artista.
A estética sensual de Ney foi refletida na bateria, que contou com a presença da cantora Iza simbolizando uma serpente, em meio a figurinos vibrantes e luxuosos.
Cultura afro-gaúcha
Logo em seguida, a Portela mergulhou na cultura afro-gaúcha com a história do Príncipe Custódio na avenida. O enredo focou na religiosidade de matriz africana do Rio Grande do Sul e na figura de Exu Bará.
Famosa por levar desfiles grandiosos à passarela do samba, a escola de Madureira apostou na inovação tecnológica: um componente da escola atravessou a Sapucaí equilibrado sobre um drone, surpreendendo o público presente.
Ancestralidade na avenida
Fechando a primeira noite do carnaval carioca, a Estação Primeira de Mangueira homenageou o centenário de Mestre Sacaca, o “Doutor da Floresta” do Amapá. O enredo destacou a sabedoria dos povos amazônicos no uso de ervas e raízes medicinais.
Esteticamente, a verde e rosa impressionou com onças que brilhavam no escuro durante a coreografia da comissão de frente. Apesar de um contratempo na dispersão, onde um carro alegórico colidiu com a estrutura da Praça da Apoteose e precisou ser desmontado às pressas, a agremiação conseguiu encerrar sua apresentação dentro do cronograma.
Segunda noite reúne últimas campeãs
As atenções se voltam para a segunda noite de desfile nesta segunda-feira (16), na Marquês de Sapucaí. A avenida reunirá duas das últimas campeãs, Beija-Flor de Nilópolis (2025) e Unidos do Viradouro (2024), além de Mocidade Independente de Padre Miguel e Unidos da Tijuca.

