A China tomou medidas nesta segunda-feira (23) para atenuar o impacto da alta dos preços dos combustíveis, elevando os preços máximos regulamentados para gasolina e diesel no varejo, mas limitando o aumento a cerca de metade do que seria normalmente aplicado pelo mecanismo de precificação do governo.
Os ajustes provocados pela alta dos preços do petróleo, relacionada à guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, ainda foram os maiores já registrados, elevando os limites de preço para níveis próximos aos observados em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), órgão de planejamento estatal, anunciou nesta segunda-feira (23) que aumentaria os preços máximos de varejo da gasolina e do diesel em 1.160 yuans (US$ 168) por tonelada métrica e 1.115 yuans por tonelada métrica, respectivamente, a partir da meia-noite desta segunda (23).
A NDRC revisa os preços de varejo da gasolina e do diesel a cada 10 dias úteis e aplica ajustes que refletem as variações nos preços internacionais do petróleo bruto, levando em consideração os custos médios de processamento, impostos, despesas de distribuição e margens de lucro adequadas.
De acordo com NDRC, sob o mecanismo de preços atual, os preços da gasolina e do diesel teriam aumentado em 2.205 yuans por tonelada métrica e 2.120 yuans por tonelada métrica, respectivamente.
“Para atenuar o impacto, aliviar o ônus para os consumidores finais e apoiar a estabilidade econômica e social, as autoridades introduziram controles temporários dentro da estrutura de preços existente”, informou o órgão de planejamento estatal em um comunicado.
Se totalmente implementado, o último ajuste custaria a um proprietário de carro particular cerca de US$ 6,50 a mais para encher um tanque de 50 litros de gasolina com 92 octanas.
A Sinopec notificou os clientes por mensagem de texto na noite de domingo (22) que os preços dos combustíveis deveriam sofrer um aumento relativamente grande à meia-noite de segunda-feira (23) e os lembrou de abastecer fora dos horários de pico.
Antecipando a alta dos preços, motoristas em todo o país formaram filas em postos de gasolina na noite de domingo (22), de acordo com publicações no Rednote e no Weibo.
Analistas estimam que um aumento de 10% no preço do petróleo poderia elevar a inflação dos preços ao produtor na China, atualmente em -0,9%, em 0,4 ponto percentual.
Mas Shuang Ding, economista-chefe para a China do Standard Chartered Bank, afirmou que uma inflação puramente de custos não é boa, pois pode comprimir os lucros das empresas.
A intervenção do governo limitará os aumentos nos preços de venda das refinarias, mas os altos preços do petróleo ainda podem restringir a demanda do consumidor, impedindo a transferência de custos e potencialmente agravando os prejuízos das refinarias, de acordo com a consultoria chinesa GL Consulting.
O aumento dos custos do petróleo bruto e a fraca demanda levaram os lucros das refinarias independentes da província de Shandong a uma mínima de quase três anos, com prejuízos atingindo 122 yuans por tonelada em 20 de março, informou a Oilchem. Shandong é o principal polo do país para esse tipo de refinaria de petróleo de pequena escala.
Anteriormente, as altas taxas de operação das refinarias e a fraca demanda, combinadas com a proibição de exportação de combustíveis, elevaram os estoques de gasolina e diesel a níveis temporariamente recordes, apontou a GL Consulting.

