O Brasil consolidou sua posição como maior fornecedor mundial de algodão, mantendo a liderança conquistada em 2024 e encerrando 2025 com exportações históricas. Segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o país exportou 452,5 mil toneladas de algodão em dezembro, o maior volume mensal já registrado. O resultado superou o recorde anterior de 415,6 mil toneladas, alcançado em janeiro de 2025.
De acordo com Raphael Bulascoschi, analista de Inteligência de Mercado da consultoria StoneX, o desempenho foi impulsionado principalmente pela ampla oferta de pluma no mercado interno, reflexo de uma colheita recorde em 2025. “Estimamos uma produção de 4,15 milhões de toneladas no ciclo passado. Essa oferta, aliada a condições logísticas favoráveis, garantiu um ritmo acelerado de embarques no fim do ano”, afirmou.
Com isso, o Brasil fechou 2025 com exportações que somaram pouco mais de 3 milhões de toneladas, reforçando seu protagonismo no comércio global da fibra. “O país manteve a liderança conquistada em 2024 como maior exportador global de algodão”, completa Bulascoschi.
No cenário internacional, a China foi o principal destino do algodão brasileiro, seguida por Bangladesh e Paquistão, países que concentram algumas das mais relevantes indústrias têxteis do mundo e dependem fortemente do fornecimento externo de matéria-prima.
Antes de o Brasil assumir a liderança mundial, os Estados Unidos ocupavam o posto de maior exportador global de algodão por quase três décadas, desde a safra 1993/94. A perda de posição ocorreu de forma gradual e está ligada a uma combinação de fatores, como o crescimento acelerado da produção brasileira, impulsionado por ganhos de produtividade e expansão de área, e a estagnação relativa da oferta americana, que enfrentou oscilações climáticas, redução de área plantada e menor competitividade em custos. Além disso, amaior presença do país em mercados estratégicos, especialmente na Ásia, contribuíram para a consolidação do Brasil como principal fornecedor mundial da fibra.
Perspectivas para 2026
Para 2026, a expectativa do mercado é de uma produção levemente menor no Brasil. Segundo o analista da StoneX, os preços internacionais em patamares baixos têm desestimulado o plantio em diversas regiões produtoras. “Os preços internacionais estão bastante baixos, o que tem desestimulado a produção em diversas regiões”, observa.
Ainda assim, caso a próxima safra apresente produtividade dentro da normalidade, o Brasil deve seguir ocupando a posição de principal fornecedor global de algodão, sustentado por escala produtiva, eficiência logística e competitividade no mercado internacional.

