As exportações brasileiras de café solúvel seguem pressionadas no primeiro bimestre de 2026, em meio aos efeitos ainda persistentes das barreiras comerciais nos Estados Unidos e à menor disponibilidade de café no país. Entretanto, dados recentes da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel indicam que os embarques do produto acompanham a tendência de queda já observada em 2025, quando o Brasil exportou 85,1 mil toneladas — o equivalente a 3,7 milhões de sacas —, uma retração de 10,6% em relação ao ano anterior.
Apesar do recuo em volume, a receita cambial atingiu recorde, superando US$ 1,09 bilhão, impulsionada pela valorização do café no mercado internacional.
Pressão dos EUA ainda afeta desempenho
O principal fator por trás da perda de ritmo nas exportações segue sendo o mercado americano, maior destino do café solúvel brasileiro. A imposição de tarifas de até 50% sobre o produto reduziu significativamente a competitividade nacional.
Em 2025, os embarques para os Estados Unidos caíram cerca de 28%, com retração ainda mais intensa — próxima de 40% — nos meses imediatamente após a entrada em vigor da medida.
Esse movimento contribuiu para a desaceleração das exportações totais e segue influenciando o desempenho em 2026, especialmente no primeiro bimestre.
Início de 2026 mantém viés de queda
No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, os embarques brasileiros de café solúvel somaram cerca de 573 mil sacas, queda de 11,5% na comparação anual, segundo dados do setor exportador.
O desempenho acompanha uma retração mais ampla das exportações de café do Brasil, que recuaram 27,3% no período, refletindo estoques mais apertados e menor disponibilidade da safra anterior.
Preços sustentam receita, mas cenário ainda é desafiador
Mesmo com a queda nos volumes, o setor segue beneficiado por preços elevados no mercado internacional, o que ajuda a sustentar a receita das exportações.
A valorização da matéria-prima — tanto arábica quanto robusta — elevou o valor agregado do produto e compensou parcialmente a perda de volume embarcado.
Ainda assim, o cenário para o café solúvel brasileiro permanece desafiador no curto prazo. Além das incertezas comerciais, o setor enfrenta concorrência internacional e depende da recomposição da oferta interna, que deve melhorar apenas com a entrada da nova safra ao longo de 2026.

