As exportações brasileiras de carne bovina começaram 2026 em ritmo acelerado, com crescimento expressivo tanto em volume quanto em receita na comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com o levantamento da Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos), o desempenho positivo foi puxado por embarques mais fortes para mercados estratégicos como Estados Unidos, União Europeia, Chile e Rússia, além da China, que segue como principal destino do produto brasileiro.
“O bom resultado no primeiro bimestre indica que os impactos das salvaguardas impostas pela China tendem a ser mais limitados ao longo do ano. Apesar de continuar liderando as compras, a participação chinesa nas exportações totais apresentou leve recuo, refletindo o avanço de outros mercados”, informou a associação por meio de nota.
Os Estados Unidos, segundo maior comprador, seguem com forte demanda diante do déficit interno de produção. A necessidade de importações elevadas deve sustentar o fluxo de compras ao longo de 2026. Outros destinos como Egito, Emirados Árabes Unidos, México e Arábia Saudita também ampliaram suas aquisições, contribuindo para a diversificação das exportações brasileiras.Play Video
Embora o cenário internacional ainda traga incertezas, como as tensões no Oriente Médio e possíveis impactos logísticos, o efeito sobre as vendas brasileiras tende a ser limitado, já que a região representa uma fatia relativamente menor da receita total.
No campo, a mudança no ciclo pecuário brasileiro também entra no radar. A valorização dos animais de reposição e a redução no abate de fêmeas devem restringir a oferta de carne ao longo do ano, o que pode manter a demanda aquecida e sustentar os preços.
A entidade ainda destaca que o Brasil avança na abertura e consolidação de novos mercados, com potencial de ampliar ainda mais as exportações. Países asiáticos como Vietnã, Indonésia, Japão e Coreia do Sul aparecem como oportunidades relevantes para o setor.
No acumulado de janeiro e fevereiro, as exportações de carne bovina e derivados somaram US$ 2,865 bilhões, alta de 39% em relação ao mesmo período de 2025. O volume embarcado chegou a 557,24 mil toneladas, avanço de 22%. Apenas em fevereiro, a receita atingiu US$ 1,449 bilhão, com crescimento de quase 40%, enquanto os embarques aumentaram 28,6%.
A China respondeu por US$ 1,221 bilhão em compras no primeiro bimestre, alta de 36%, com volume de 223,7 mil toneladas. Ainda assim, sua participação no total exportado recuou levemente. Os preços médios pagos pelo país também subiram, indicando demanda firme.
Nos Estados Unidos, as compras de carne bovina in natura quase dobraram em valor, com alta de 97,3%, enquanto o volume cresceu 60%. Os preços médios também registraram valorização significativa.
A União Europeia manteve trajetória positiva, com crescimento tanto em receita quanto em volume, além de preços mais elevados. Na América do Sul, o Chile apresentou expansão consistente, enquanto a Rússia se destacou com uma das maiores altas entre os principais compradores, mais que dobrando suas importações.
No geral, os dados do início de 2026 reforçam um cenário de forte demanda internacional pela carne bovina brasileira, com maior diversificação de destinos e menor dependência de um único mercado.
Ao todo, 109 países ampliaram suas importações do Brasil, enquanto 42 reduziram as compras, consolidando o país como um dos principais fornecedores globais de proteína bovina.

