O Ibovespa renovou o recorde e fechou acima dos 184 mil pontos pela primeira vez nesta quarta-feira (28). A alta foi impulsionada pelos ganhos das blue chips com a continuidade dos fluxos de capital estrangeiro para o país, em uma sessão onde os investidores tiveram como foco as decisões de juros do Federal Reserve e do Banco Central.
Em janeiro, este é o 8º pregão encerrado em máxima histórica pelo principal índice da bolsa, que chegou a tocar os 185 mil pontos durante o dia.
O Ibovespa fechou com alta de 1,52%, aos 184.691,05 pontos.
Na mínima, marcou 181.920,63 pontos e, na máxima, registrou 185.064,76 – maior nível intradia registrado na história do índice.
As ações de maior peso no índice tiveram forte valorização no dia. Os papéis preferenciais e ordinários da Petrobras fecharam em alta de 3,35% e 2,90%, respectivamente. A Vale subiu 2,44%, enquanto Itaú Unibanco avançou 2,25% e Bradesco valorizou 1,35%.
Após cair abaixo dos R$ 5,20 pela manhã, o dólar encerrou o dia estável no Brasil e pouco acima deste nível, com os investidores à espera da decisão sobre juros do Banco Central, no início da noite.
A acomodação do dólar no Brasil contrastou com o cenário externo, onde a moeda norte-americana subiu ante a maior parte das demais divisas.
O dólar à vista fechou com leve alta de 0,01%, aos R$ 5,2080. No ano, a divisa acumula baixa de 5,12%.
Na véspera, a moeda norte-americana fechou cotada a R$ 5,2074, em queda de 1,38%, no menor valor desde maio de 2024. As cotações foram influenciadas pelo recuo da moeda norte-americana no exterior e pela continuidade do fluxo de investimentos estrangeiros para o Brasil.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações do dólar a patamares mais baixos.
Na primeira superquarta do ano, os investidores monitoram as decisões de juros do Federal Reserve e do Banco Central brasileiro com expectativa de que os juros sejam mantidos tanto no Brasil como nos Estados Unidos.
Fed mantém taxa de juros
O Federal Reserve comunicou nesta quarta-feira (28) a manutenção do intervalo da taxa referencial de juros entre 3,5% e 3,75%.
A decisão se dá em meio à pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o banco central americano, especialmente depois da escalada de ataques do republicano ao presidente da autoridade monetária, Jerome Powell.
No ano passado, o Fed reduziu a taxa de juros três vezes, nas reuniões de setembro, outubro e, a mais recente, de dezembro.
As apostas majoritárias do mercado indicavam que a autarquia norte-americana iria manter a taxa na faixa atual. Dessa forma, as atenções se voltam para o comunicado e para os comentários de Powell, na busca por pistas sobre os próximos passos da autoridade monetária.
O anúncio desta quarta-feira ganha ainda mais relevância já que acontece em meio à investigação criminal aberta pelo governo do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre Powell, ao esforço para demitir a diretora Lisa Cook e à iminente nomeação de um sucessor para assumir o comando do Fed em maio.
Copom no radar
Mais tarde, por volta de 18h30, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC deve anunciar sua decisão para a Selic. Assim como no caso do Fed, é esperado que a autoridade também mantenha sua taxa de juros, a Selic, inalterada, em 15%, com as atenções voltadas para indicações sobre o início do ciclo de cortes dos juros.
No Brasil, a taxa Selic, que mede os juros básicos do país, está estacionada em 15% ao ano desde junho de 2025. Já nos EUA, a autoridade monetária trabalha com juros na banda de 3,5% a 3,75% após corte em dezembro.
O Sistema Expectativas de Mercado, apurado semanalmente pelo BC, mostra que a mediana dos agentes econômicos aposta em manutenção dos juros de 15% nesta quarta.

