O Ibovespa fechou acima dos 186 mil pontos e renovou a máxima histórica pela 10ª vez em 2026 nesta segunda-feira (9). A forte alta do principal índice da bolsa foi impulsionado pela valorização das blue chips Itaú Unibanco, Petrobras, Vale e Bradesco em dia de maior apetite global ao risco.
O movimento de rotação global, que favorece mercados emergentes, ganhou novo ímpeto e renovou o fôlego do mercado brasileiro em meio as expectativas com a temporada de balanços corporativos.
O Ibovespa fechou em alta de 1,80%, aos 186.241,15 pontos.
Na mínima do dia, registrou 182.950,20 pontos e, na máxima, chegou aos 186.460,08 pontos. O volume financeiro negociado no pregão foi superior a R$ 27 bilhões.
As ações do Itaú Unibanco fecharam em alta de 3,34%, Vale teve valorização de 1,96% e Bradesco subiu 1,46% no pregão. Enquanto as ações preferenciais e ordinárias da Petrobras encerram o dia em queda de 1,83% e 2,03%, respectivamente.
No Brasil, o destaque ficou para as declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento promovido pela ABBC (Associação Brasileira de Bancos) em São Paulo. Galípolo afirmou que a melhora da inflação no Brasil não é a “volta da vitória” e disse que agora a autoridade monetária busca a “calibragem” em suas decisões.
Mais cedo, o Banco Central divulgou o Boletim Focus com nova redução na projeção para a inflação em 2026, de 3,99% para 3,97%. A taxa está 0,53 ponto porcentual abaixo do teto da meta, de 4,50%. Há um mês, era de 4,05%.
“Os bancos se recuperam de uma semana negativa, beneficiados também pelo discurso moderado e independente de Galípolo, que reforçou o início do ciclo de cortes mas reforçou prudência nos movimentos”, avalia Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos.
Com exceção do BTG Pactual, que, segundo segundo Perri “cai em um movimento realização de lucros após excelentes resultados trimestrais”. Durante a manhã, o banco reportou lucro líquido ajustado para o quarto trimestre de quase R$ 4,60 bilhões, crescimento de 40,3% sobre o mesmo período do ano passado.
De acordo com análise técnica semanal do BB Investimentos, o Ibovespa segue em tendência de alta.
“Mas seu comportamento nas últimas três semanas desenha um padrão de esgotamento do ímpeto altista, com resistência consolidada ao redor dos 187,5 mil pontos e zona de suporte imediata em 182 mil pontos”, afirmaram em relatório a clientes.
Para a equipe da Ágora Investimentos, o cenário externo pode trazer volatilidade adicional aos ativos locais, com mercados em compasso de espera por indicadores relevantes.
Dólar em queda
O recuo firme da moeda norte-americana no exterior conduziu a queda do dólar ante o real nesta segunda-feira, para abaixo dos R$ 5,20, em mais uma sessão de forte fluxo de investimentos para países emergentes como o Brasil.
O dólar à vista fechou o dia com queda de 0,59%, aos R$ 5,1886 — o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando encerrou aos R$ 5,1539. No ano, a divisa acumula agora baixa de 5,47%.
A queda da moeda também acontece após a China frear compra de treasuries dos Estados Unidos.
No exterior, o dólar sustentou baixas firmes ante o iene, após a vitória eleitoral da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi no fim de semana. Além disso, cedeu ante o euro e a libra, com investidores à espera pela divulgação ao longo da semana de dados de varejo, inflação e empregos nos Estados Unidos.
O dia também foi de queda firme para o dólar ante moedas de países emergentes, como o rand sul-africano, o peso mexicano e o peso chileno, restando ao real acompanhar a tendência.
“O dólar opera em queda hoje sob predominância de fatores externos: a queda acentuada do DXY (índice do dólar) e a continuidade do movimento de rotação de fluxos globais em direção a mercados emergentes”, disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.
“Além disso, o ambiente internacional favorável ao risco, marcado pela alta das bolsas nos EUA, na Europa e no Japão, tem dado suporte às moedas emergentes de forma geral, com destaque para o real.”
Em paralelo, o Tesouro anunciou pela manhã a emissão de títulos em dólares no mercado internacional, com um novo benchmark de dez anos, para 2036. Além disso, foi realizada captação por meio de títulos de 30 anos Global 2056.
Conforme o serviço de informações financeiras IFR, o Brasil captou um total de US$4,5 bilhões, com US$3,5 bilhões pelo papel com vencimento para 2036 e US$1,0 bilhão com o título para 2056.
Como ocorre tradicionalmente, a expectativa é de que essa nova emissão do Tesouro abra a janela para captações internacionais por parte de empresas, o que reforça, no mercado, a perspectiva de entrada de mais dólares no país, pontuou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.
“E contra o fluxo não há argumentos”, disse Rugik, que não descarta a possibilidade de um dólar ainda mais fraco no curto prazo, mais próximo dos R$5,00.

