O Ibovespa renova recorde e fecha acima dos 181 mil pontos pela primeira vez nesta terça-feira (27). A alta foi impulsionada pelo clima positivo que tomou os mercados locais após os dados da inflação abaixo do esperado e pelos ganhos das blue chips em meio a continuidade de fluxos de investidores estrangeiros para a bolsa brasileira.
O Ibovespa fechou com alta de 1,79%, aos 181.919,13 pontos.
Na mínima, marcou 178.852,46 pontos e, na máxima, registrou 183.359,56 — maior nível intradia registrado na história do índice. O volume financeiro somou R$ 35,23 bilhões.
A visão positiva do indicador, somada a um dólar mais comportado nesta terça-feira e ao fluxo para a bolsa, sustentou a performance de blue chips como Petrobras, Vale e bancos, ajudando o índice a renovar máximas recentes.
O Ibovespa operou durante todo o pregão com alta generalizada, mas alguns setores se destacam.
Para Bruno Perri, economista-chefe da Fórum Investimentos, a expectativa de novos cortes de juros favorecem as commodities, principalmente o petróleo, reverberando fortemente nas empresas do setor, com destaque para a Petrobras – com as ações preferenciais e ordinárias subindo 2,18% e 2,80%, respectivamente.
Ainda dentre as commodities, a Vale se recuperou do tombo da véspera, com alta de 2,20%.
O setor financeiro também é destaque, com expectativa de juros menores, que, de acordo com Perri, colaboram com menor inadimplência e redução de PDDs (provisão para devedores duvidosos), com forte alta em papéis como Itaú Unibanco (2,65%), Bradesco (2,63%), Santander (3,18%) e Banco do Brasil (1,19%).
“Segmentos cíclicos, mas sensíveis à atividade econômica e às taxas de juros, também se favorecem com expectativa de corte de juros ainda nesse semestre. Incorporadoras como Cyrela e MRV, além dos setores de locação de veículos e varejo sobem”, complementa.
Agora, o foco dos investidores se volta agora para a chamada “superquarta”, que trará as decisões de juros do Banco Central do Brasil e do Federal Reserve. A expectativa é de manutenção tanto da taxa Selic em 15% no Brasil quanto dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% nos Estados Unidos.
O mercado também segue monitorando a temporada de balanços americana e os possíveis desdobramentos no cenário geopolítico.
Dólar em queda
O dólar encerrou o dia em forte baixa no Brasil, novamente sob influência da queda da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior.
A moeda norte-americana fechou com recuo de 1,38% no dia, negociado a R$ 5,2074 na venda. O resultado marca o menor fechamento desde 28 de maio de 2024, quando encerrou em R$ 5,1539.
Nas últimas semanas, o forte fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira tem sido apontado como um dos motivos para a baixa do dólar ante o real.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, segurando as cotações do dólar em patamares mais baixos.
Dados de inflação
O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15), prévia da inflação brasileira, subiu 0,20% em janeiro, abaixo do esperado pelo mercado e em desaceleração ante alta de 0,25% no mês anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (27).
Com o resultado, o índice passou a acumular alta de 4,50% nos últimos 12 meses – cravado no teto da meta oficial do Banco Central –, ante 4,41% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.
A meta do Banco Central para a inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
A divulgação da prévia da inflação ocorre um dia antes da primeira decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) em 2026. O Banco Central deve decidir pela manutenção da taxa de juros na quarta-feira (28), com a expectativa pelo mercado de que a Selic seja reduzida em março.
“Esse dado surpreendeu positivamente o mercado e aumentou a confiança de que a política monetária restritiva começa a produzir efeitos mais consistentes sobre os preços. Com a inflação mostrando sinais de arrefecimento, cresce a expectativa por um corte de juros mais próximo, ou ao menos por um discurso mais brando por parte do Banco Central”, disse em nota o analista João Abdouni, da Levante Inside Corp.
Para o consultor sênior da Zero Markets Brasil, Otavio Araújo, o dado divulgado nesta terça “reforça a leitura de inflação sob controle e, de alguma forma, isso mantém viva a discussão sobre o espaço para um possível início de cortes de juros um pouco mais à frente”.
Mercado projeta queda dos juros em março
A cúpula do BC (Banco Central) realiza nesta semana a primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de 2026, com investidores já antecipando a decisão de juros estacionados no atual patamar de 15% — o mais elevado em quase 20 anos.
Termômetros do mercado e análises reforçam que o esperado movimento de afrouxamento da Selic deve ficar para março, diante de dados difusos da atividade doméstica e o acirramento das tensões globais.
O Sistema Expectativas de Mercado, apurado semanalmente pelo BC, mostra que a mediana dos agentes econômicos aposta em manutenção dos juros de 15% nesta quarta-feira (28).
As estimativas apontam que os juros fecham o ano em 12%, e não devem ficar abaixo de dois dígitos antes do final de 2027.

