O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira (20), acima dos 190 mil pontos pela primeira vez, em movimento tracionado pelas ações da Vale e de bancos – este é o 12º fechamento em recorde do índice em 2026.
A tendência positiva no pregão ganhou fôlego à tarde, após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que declarou ilegais parte das tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump.
O Ibovespa fechou em alta de 1,06%, aos 190.534,42 pontos.
O principal índice da bolsa marcou 190.726,78 na máxima do pregão, em novo recorde intradia, após 186.700,34 na mínima do dia. Na semana, encurtada pelo Carnaval, avançou 2,18%.
O volume financeiro nesta sexta-feira somou R$ 36,16 bilhões.
Já o dólar encerrou o dia em queda firme no Brasil e novamente abaixo dos R$ 5,20, em sintonia com a baixa quase generalizada da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior.
O dólar à vista fechou a sessão em baixa de 0,99%, aos R$ 5,1766, o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando encerrou em R$ 5,1539. Na semana encurtada pelo Carnaval, a moeda norte-americana acumulou baixa de 1,03% e, no ano, queda de 5,69%.
“Na margem, o fim das tarifas reforça o movimento de reposicionamento global de portfólios estrangeiros, que favoreceu o real e a bolsa brasileira, mas a principal consequência deve ser o aumento da volatilidade cambial diante da incerteza sobre os próximos passos do governo americano. Ainda assim, a tendência global de depreciação do dólar permanece”, disse André Valério, economista sênior do Inter.
De acordo com o superintendente da Necton/BTG Pactual, Marco Tulli Siqueira, há um efeito positivo generalizado na B3 em razão da decisão envolvendo as tarifas, que é potencializado por zeragem de posições vendidas com o rali recente.
Para Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, o resultado da decisão é positivo para o Brasil porque o protecionismo é reduzido de forma estrutural, e trocado por uma tarifa temporária de 10%.
“O governo brasileiro, na realidade, vê efeito favorável não afetando a competitividade brasileira, uma vez que vale para todos os países. Anteriormente, o Brasil se encontrava entre os países mais prejudicados pelas tarifas”, avalia.
Segundo Perri, os ativos de risco continuaram subindo ao longo do dia porque a decisão da Suprema Corte dos EUA é fundamentalmente favorável à economia global e a tarifa anunciada por Trump afetará a todas as economias de forma equânime.
Tarifas de Trump
A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira (20) que o presidente Donald Trump violou a lei federal ao impor unilateralmente tarifas abrangentes em todo o mundo, uma derrota marcante para a Casa Branca em uma questão que tem sido central para a política externa e a agenda econômica do presidente.
A decisão é, sem dúvida, a derrota mais importante que o segundo mandato de Trump sofreu na Suprema Corte conservadora, que no ano passado se posicionou repetidamente ao lado do presidente em uma série de decisões emergenciais sobre imigração, a demissão de chefes de agências independentes e cortes profundos nos gastos do governo.
O juiz-chefe John Roberts redigiu o parecer da maioria e o tribunal concordou por 6 a 3 que as tarifas excediam os limites da lei. O tribunal, no entanto, não se pronunciou sobre o que deveria acontecer com os mais de 130 bilhões de dólares em tarifas já arrecadadas.
“O presidente reivindica o poder extraordinário de impor unilateralmente tarifas de valor, duração e alcance ilimitados”, escreveu Roberts em nome do tribunal.
“Considerando a amplitude, o histórico e o contexto constitucional dessa autoridade reivindicada, ele deve identificar uma autorização clara do Congresso para exercê-la.”
Dados dos EUA
O PIB dos Estados Unidos cresceu 1,4% no quarto trimestre de 2025, abaixo da expansão de 3% estimada por economistas, enquanto o nível da medida de inflação favorita do Federal Reserve, o índice PCE, subiu 0,4% em dezembro, ante uma previsão de alta de 0,3%.
Após os dados, as apostas sobre os próximos passos do Fed quase não mudaram, com os contratos de juros futuros refletindo uma probabilidade de cerca de 57% de uma redução de 0,25 ponto percentual em junho, de cerca de 55% antes.

