O Ibovespa encerrou a semana com novos recordes pelo quarto dia consecutivo, fechando acima dos 178 mil pontos pela primeira vez, nesta sexta-feira (23). O principal índice da bolsa chegou a superar o patamar dos 180 mil pontos na última hora de pregão, atingindo nova máxima intradiária.
A alta é sustentada principalmente pelo fluxo de capital externo, em um movimento de rotação global de portfólios em busca de diversificação que favorece os países emergentes, como o Brasil. Em janeiro, os estrangeiros investiram quase R$ 8,8 bilhões na bolsa, segundo dados da B3 até o dia 20.
O Ibovespa fechou em alta de 1,86%, aos 178.858,54 pontos.
Na máxima do dia chegou a 180.532,28 pontos, novo recorde intradia. Na mínima, marcou 175.589,66 pontos.
O volume financeiro no pregão somou R$35,96 bilhões, novamente acima da média diária do ano e, principalmente, de 2025.
Na semana, o Ibovespa acumulou uma valorização de 8,53%, ampliando o ganho neste começo de ano para 11,01%.
A alta no pregão foi endossada pelo avanço no preço de commodities como petróleo e minério de ferro, com forte valorização de Vale e Petrobras — os papéis da mineradora subiram 2,46%, enquanto as ações preferenciais e ordinárias da petroleira tiveram alta de 4,35% e 3,97%, respectivamente.
O dólar perdeu força ante o real na metade da sessão e fechou a sexta-feira próximo da estabilidade, em mais um dia de alta firme do Ibovespa, com investidores estrangeiros atuando na ponta de compra de ativos brasileiros.
A moeda norte-americana à vista fechou em leve alta de 0,08%, aos R$ 5,2876. Na semana, a divisa acumulou queda de 1,59% e, no ano, baixa de 3,67%.
De acordo com analistas do Itaú BBA, o Ibovespa segue em direção ao primeiro objetivo em 180 mil pontos.
“Agora, o índice conta com o reforço da maior parte dos índices setoriais, que voltaram a negociar em suas máximas históricas ou nas máximas dos últimos 12 meses. Esse alinhamento aumenta a probabilidade de continuidade da tendência de alta”, afirmaram no relatório Diário do Grafista nesta sexta-feira.
“Além dos 180 mil pontos, o próximo grande objetivo passa a ser a região dos 200 mil pontos”, acrescentaram, citando que, do lado da baixa, o Ibovespa encontra suportes em 172.500 e 163.300 pontos, patamar que mantém a tendência de alta.
A rotação global de portfólio, com saída dos investidores principalmente de ativos norte-americanos em busca de oportunidades em países como o Brasil, também tirou força do dólar ante o real e fez as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) se firmarem em baixa entre os contratos de longo prazo.
O movimento ocorre em mais um dia de agenda esvaziada de indicadores no Brasil, mas com o noticiário sobre as fraudes no Banco Master se mantendo no radar. Mais cedo, a Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão contra três autoridades do Rioprevidência, o fundo de pensão dos servidores do Estado do Rio de Janeiro, para apurar irregularidades ligadas ao Banco Master.
Nesta semana, além do fluxo estrangeiro, favorecido pela rotação global em direção a emergentes, a equipe de macroeconomia do Santander Brasil, chefiada por Ana Paula Vescovi, atrelou a alta do Ibovespa ao alívio do risco geopolítico, conforme relatório a clientes.
A perspectiva entre estrategistas é de que o horizonte segue positivo para as ações brasileiras, dado o cenário macro global favorável e o movimento de realocação de recursos, saindo principalmente, dos Estados Unidos, além da perspectiva de um ciclo de corte de juros no Brasil.
Na próxima semana, aliás, decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil devem concentrar as atenções, principalmente os comunicados divulgados ao término das reuniões de ambos os bancos centrais na quarta-feira. Para as taxas em si, as apostas no mercado são de manutenção em ambos os países.

