O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial de inflação do Brasil, fechou o ano de 2025 em 4,26% – abaixo do teto da meta de 4,5% definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
O resultado consolidado vem após o índice de dezembro, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (9), variar 0,33% no mês.
Trata-se da segunda vez em cinco anos que a inflação fica dentro do intervalo de tolerância. Em 2023, o IPCA ficou em 4,62%, mas a meta era de 3,25% (atualmente é de 3%) e, com a permissão de variação de 1,5 p.p. (ponto percentual), acabou ficando dentro do teto.
Além disso, o desempenho em 2025 é o melhor desde 2018, quando a inflação oficial foi de 3,75%. A alta registrada de 4,26% no ano passado ficou abaixo das expectativas do mercado, que previa o indicador entre 4,3% e 4,4%.
O Banco Central volta a se reunir no final deste mês para decidir sobre a política monetária. No mercado, há uma expectativa majoritária de manutenção dos juros em janeiro, e os investidores estarão atentos a indicações sobre o início de um ciclo de cortes.
“Considerando a cautela do Copom na condução da política monetária e comunicação mais dura, vemos esse resultado (de dezembro) como suficiente para eliminar a chance de corte na reunião de janeiro”, disse André Valério, economista sênior do Inter. “Entretanto, ainda esperamos o corte no primeiro trimestre, na reunião de março.”
A autoridade monetária já afirmou que a manutenção do nível atual por período bastante prolongado é a estratégia adequada para levar a inflação ao objetivo. A pesquisa Focus mostra que a expectativa mediana de analistas é de uma primeira redução apenas em março.
Para Kimberley Sperrfechter, economista de mercados emergentes da Capital Economics, os dados do IPCA “deixam a porta apenas entreaberta para um corte na taxa de juros” ainda este mês.
“Mas, seja o primeiro corte do ciclo neste mês ou em março, as taxas provavelmente cairão mais do que o esperado”, acrescentou ela em nota a clientes.
Serviços e energia
A redução da inflação acumulada no ano passado se deu apesar da pressão dos preços de serviços, em um ano marcado pela resiliência do mercado de trabalho e pela renda elevada, ponto de atenção do BC.
Esse setor acumulou em 2025 alta de 6,01%, uma forte aceleração ante os 4,78% de 2024, com o transporte por aplicativo disparando 56,08% e a passagem aérea deixando para trás uma deflação para avançar no ano 7,85%.
“Os serviços mostram uma influência da demanda maior e por isso ficaram acima do IPCA no encerramento do ano”, disse Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa.
O resultado de 2025 foi marcado ainda pela pressão dos preços da energia elétrica residencial, que exerceram o maior impacto individual sobre a inflação no ano, acumulando alta de 12,31%.
Isso influenciou o grupo Habitação, cuja alta de preços acelerou para 6,79%, de 3,06% em 2024, apesar de em dezembro ter marcado uma deflação de 0,33%.
“A energia foi a vilã de 2025 por conta de reajustes nas tarifas e bandeiras tarifárias”, explicou Gonçalves.
Entre as maiores variações no ano passado, destacaram-se ainda Educação (6,22%), Despesas pessoais (5,87%) e Saúde e cuidados pessoais (5,59%). Segundo o IBGE, os quatro grupos juntos responderam por cerca de 64% do resultado de 2025 do IPCA.
Por outro lado, Alimentação e bebidas, grupo de maior peso no índice, teve alta de 2,95% em 2025, após avanço de 0,27% em dezembro, abaixo da taxa de 7,69% do ano anterior.
Esse resultado se deveu principalmente à alimentação no domicílio, cujo aumento de preços passou de 8,23% para 1,43%. O arroz registrou queda de 26,56% em 2025, enquanto o leite longa-vida caiu 12,87%.
O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, teve em dezembro alta para 60%, de 56% em novembro.
A última pesquisa Focus do BC mostra que a projeção para o IPCA era de alta de 4,31% em 2025, indo a 4,06% este ano e a 3,80% em 2027.

