Cerca de 77% dos pagamentos realizados entre empresas no Brasil ocorrem na modalidade a prazo. O dado consta em um levantamento inédito da empresa Qive, que analisou 500 milhões de notas fiscais emitidas entre os anos de 2023 e 2025.
O estudo aponta que essa dinâmica movimenta aproximadamente R$ 4,1 trilhões fora do sistema bancário tradicional, configurando uma estrutura de crédito estabelecida diretamente entre as companhias que sustenta a economia.
De acordo com os registros fiscais, mais da metade dessas operações, especificamente 51,2%, leva um período superior a 15 dias para ser quitada. Esse volume representa R$ 2,41 trilhões em crédito corporativo que impactam diretamente o fluxo de caixa das organizações.
Apesar do prazo estendido, o mercado demonstra busca por liquidez rápida, uma vez que 77% do montante gasto em operações superiores a 15 dias é liquidado em apenas uma parcela.
O principal meio utilizado para sustentar essas dívidas comerciais é o boleto bancário vinculado a duplicatas, instrumento que concentra 74% do valor total movimentado sob essa condição de pagamento.
A análise setorial revela que o varejo e a indústria concentram 87% do volume financeiro movimentado por meio de boletos e duplicatas a prazo.
O varejo lidera o ranking com 65,6% das compras a prazo e metade de todo o montante financeiro, somando R$ 655 bilhões em 2025. A indústria aparece na sequência, sendo responsável por 35,2%, o que representa R$ 463 bilhões.
Já o setor de saúde, embora em terceiro lugar no volume total, demonstra a maior dependência do modelo, com 90,2% de suas transações realizadas a prazo, sendo 72,2% por meio de boletos ou duplicatas.
No segmento de saúde, essa característica está relacionada aos prazos extensos de recebimento das operadoras e convênios médicos.

