A mineradora australiana Viridis Mining & Minerals anunciou nesta terça-feira (6) que o Projeto Colossus, localizado em Minas Gerais e rico em terras raras, recebeu uma carta de apoio para financiamento da Export Finance Australia, agência de crédito à exportação do governo australiano.
Segundo fato relevante publicado pela empresa, o financiamento pode chegar a até US$ 50 milhões e será utilizado para o desenvolvimento do projeto.
Com a emissão da carta, o empreendimento entra agora em uma etapa de due diligence, que envolve análises técnicas, financeiras, ambientais e de crédito conduzidas pela agência australiana antes de uma eventual aprovação formal do financiamento.
As ações da empresa subiram mais de 12% na bolsa da Austrália após o anúncio.
O Projeto Colossus abriga reservas de argilas iônicas ricas em neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, elementos essenciais para a fabricação de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, sistemas de defesa e equipamentos de alta tecnologia.
O Colossus já havia sido considerado elegível para financiamento por outras duas agências internacionais de crédito à exportação: a Bpifrance Assurance Export, ligada ao governo da França, e a Export Development Canada, do governo canadense.
Na prática, essa elegibilidade indica que o projeto atende aos critérios técnicos, ambientais, econômicos e estratégicos exigidos por esses países para receber garantias ou crédito público, o que aumenta a confiança de bancos e investidores privados na viabilidade do empreendimento.
Austrália, Canadá e França classificam o projeto em Minas Gerais como estratégico, em meio ao esforço dos países ocidentais para diversificar fornecedores de terras raras e reduzir a dependência de insumos da China, que hoje domina grande parte da cadeia global desses minerais.
No caso do governo francês, por exemplo, o Colossus foi incluído no programa “Garantie de Prêt Stratégique” (Garantia de Empréstimo Estratégico), que oferece garantia soberana parcial para financiamentos bancários de iniciativas consideradas de interesse nacional e geopolítico para a França e seus parceiros.
O empreendimento está localizado no sul de Minas Gerais, na região de Poço de Caldas.
Em dezembro, o projeto recebeu a licença ambiental prévia, etapa considerada decisiva no licenciamento. A expectativa da Viridis é alcançar a decisão final de investimento no segundo semestre de 2026.
A estratégia da empresa é se consolidar como fornecedora desses insumos para países ocidentais, especialmente os Estados Unidos, em um contexto de reorganização das cadeias globais de suprimento e de fortalecimento da segurança mineral.
Centro de pesquisa
Recentemente, a mineradora anunciou a construção de um centro de pesquisa e processamento de terras raras, em Poços de Caldas (MG), sem uso de tecnologia, componentes ou equipamentos chineses.
Os recursos obtidos junto aos governos da França, Canadá e Austrália devem ser utilizados na fase de construção do projeto, além de custear etapas burocráticas relacionadas às fases de pesquisa e licenciamento ambiental.
O centro ficará localizado no parque industrial de Poços de Caldas, a cerca de 7 quilômetros das concessões minerais da empresa, e servirá como base para a produção experimental de carbonato misto de terras raras..
O início das operações está previsto para o segundo trimestre de 2026.
A planta, com capacidade para processar 100 quilos por hora de minério bruto, funcionará como uma unidade de demonstração, voltada a validação de parâmetros técnicos, a otimização operacional e a preparação comercial do desenvolvimento de terras raras da empresa.
Outro objetivo do centro é gerar amostras de produto para qualificação de parceiros de offtake, ou seja, empresas que poderão firmar contratos de compra antecipada da produção futura.

