A União Europeia está mais perto de dar aval à assinatura do acordo de livre comércio negociado há 26 anos com o Mercosul, após reuniões ocorridas em Bruxelas nas últimas horas. Duas fontes do governo brasileiro próximas às negociações relataram otimismo dos sul-americanos à imprensa.
As reuniões aproximaram a Itália, espécie de fiel da balança na UE, de dar aval ao tratado e destravar a assinatura. Com isso, há expectativa de que a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, viaje ao Paraguai – presidente do Mercosul – na próxima semana para firmar o acordo.
Na quarta-feira (7), ministros da agricultura da UE se reuniram em Bruxelas e anunciaram 293 bilhões de euros para o orçamento da política agrícola do bloco, além de recursos para pesquisas, reservas a crises de mercado e uma redução de taxas para fertilizantes — um aceno aos agricultores do bloco.
Com as políticas reduzindo as resistências entre agricultores, a Itália teria uma última demanda para dar aval ao acordo: a redução do percentual necessário para o acionamento de salvaguarda no acordo entre Mercosul-UE.
Na prática, esse mecanismo estabelece como a UE poderia suspender temporariamente as preferências tarifárias na importação de determinados produtos agrícolas considerados sensíveis (como aves ou carne bovina) do Mercosul, caso essas importações sejam consideradas prejudiciais aos produtores da UE.
No acordo da UE, quando as importações de produtos agrícolas sensíveis aumentarem em média 8% ao longo de um período de três anos, o bloco poderá iniciar uma investigação sobre a necessidade de medidas de proteção. A Itália quer que este percentual seja reduzido a 5%.
A viabilidade de a assinatura acontecer nos próximos dias deve ficar mais clara após uma reunião de ministros de Relações Exteriores da UE, marcada para acontecer na sexta-feira (9).
Assinatura em janeiro
Apesar da frustração da não assinatura do acordo, os países sul-americanos deixaram a Cúpula do Mercosul com a expectativa de que a assinatura poderia acontecer em janeiro — alimentada pelo compromisso da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, de que poderia convencer os agricultores do país.
A Itália é a fiel da balança para o acordo. Sem Meloni, os países que sinalizam oposição ao acordo, França, Polônia e Irlanda, não teriam votos suficientes para barrar a assinatura do tratado.
É necessário que a oposição ao acordo some ao menos 35% da população da União Europeia para impedir a aprovação do tratado no Conselho Europeu, que reúne os chefes de Estado do bloco.

