O futebol amazonense carrega uma história rica, construída por clubes tradicionais que já frequentaram divisões importantes do cenário nacional.
Rio Negro, hoje afastado do futebol profissional, e o Fast, que atualmente disputa a Série B do Amazonense e não conseguiu o acesso nas últimas temporadas, fazem parte desse passado marcante.
No Campeonato Amazonense de 2026, seguem em atividade os históricos Nacional e São Raimundo, ambos da capital, além do Princesa do Solimões, representante do interior que também construiu trajetória relevante no estado.

Mas o Estadual dos últimos anos ganhou um novo roteiro. Desde 2019, quando o Manaus alcançou a Série C do Brasileiro, e, principalmente, a partir da ascensão meteórica do Amazonas, o futebol local passou a viver outra realidade.
Fundado há apenas seis anos, o clube aurinegro saiu da Série D para a Série B nacional em apenas três temporadas, conquistou o título brasileiro da Série C em 2023, feito inédito para o estado, e ainda se destacou na Copa do Brasil de 2024.
Mesmo hoje disputando a Série C, o Amazonas seguiu ampliando sua base de torcedores e ajudou a recolocar o público como protagonista no futebol local.
Desde o primeiro título estadual do clube, em 2023, conquistado sobre o Manauara no estádio Carlos Zamith, diante de 3.200 torcedores, os números passaram a crescer de forma constante.
O que mais chama atenção, porém, é o fortalecimento da rivalidade entre os dois clubes mais jovens do estado.
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O duelo entre Amazonas e Manaus, batizado de GaviOnça, já extrapola o campo e começa a ganhar contornos de clássico, tanto pela competitividade quanto pela mobilização das torcidas.
O capítulo mais recente dessa história foi escrito na última sexta-feira, dia 23, na Arena da Amazônia. Com mando da Onça-pintada e maioria aurinegra nas arquibancadas, o Amazonas venceu o Manaus por 2 a 1.
O resultado teve peso esportivo, mas o dado mais simbólico veio das arquibancadas. Ao todo, 6.108 torcedores acompanharam a partida, apenas 703 a menos do que o público registrado na final do Campeonato Amazonense de 2025, quando o Amazonas superou o Nacional diante de 6.811 pessoas.
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Somadas as duas primeiras rodadas do Estadual deste ano, o público total não supera os 6.108 torcedores que estiveram presentes no confronto entre Amazonas e Manaus, pela terceira rodada da competição.
No ano anterior, a decisão estadual entre Manaus e Amazonas, vencida pelo Gavião nos pênaltis, no estádio do Sesi, levou 4.051 torcedores, outro número expressivo para os padrões locais.
Ainda em 2024, a final do primeiro turno entre Amazonas e São Raimundo reuniu 7.714 torcedores na Arena da Amazônia, com grande presença da torcida alviceleste, em uma noite que reforçou o potencial de mobilização do Estadual quando há envolvimento direto das torcidas.
Em 2025, o Amazonas deu o troco após a derrota na temporada anterior. Depois de empatar por 2 a 2 no tempo normal, a Onça-pintada superou o Manaus por 6 a 5 nos pênaltis e conquistou o título do primeiro turno, com público de 3.263 torcedores, acrescentando mais um capítulo decisivo a uma rivalidade que cresce a cada temporada.
Para efeito de comparação, o maior público do Campeonato Amazonense nos últimos anos segue sendo o empate sem gols entre Fast e Princesa do Solimões, em 15 de março de 2014, com 11.800 presentes.
Na ocasião, mais do que o jogo, a grande atração era a Arena da Amazônia, que recebia pela primeira vez uma partida do Estadual após a inauguração oficial.
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Mais de uma década depois, o estádio volta a ganhar protagonismo, agora não apenas como palco, mas como reflexo de um futebol que se renova.
A rivalidade entre Amazonas e Manaus ajuda a explicar esse movimento, mas vai além dela. O crescimento de público indica um torcedor que volta a se reconhecer no Estadual, movido por identidade, disputa e pertencimento.
Em um cenário antes marcado pela nostalgia, o futebol amazonense passa a ser contado no presente, com arquibancadas cheias e um clássico em formação.

