Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo, falou sobre a possibilidade do clube deixar de utilizar o Maracanã e rumar para a construção de um estádio próprio.
Em entrevista ao As, da Espanha, o dirigente destacou que o Rubro-Negro ainda tem um longo período de utilização do “Maraca” à frente e que, apenas após o encerramento deste período, avaliará a edificação de uma nova arena.
“Temos um terreno que a administração anterior adquiriu no Maracanã por 19 anos. A administração anterior tinha o Maracanã e, sob sua gestão, gerava uma margem de 30% por jogo. Com a nossa gestão, as receitas do Maracanã dobraram e nossa margem passou de 3% para 72%. O Maracanã é meu por 19 anos. Tenho 19 anos para esperar e ver se preciso construir um estádio ou não”, começou.
“Já tenho um estádio próprio por duas décadas, porque tenho a concessão do Maracanã. Não vamos deixá-lo. Imagine agora: se o novo estádio não tiver um modelo de negócio que renda ao Flamengo muito mais dinheiro do que rende hoje o Maracanã sem que ele invista nada, por que eu iria construí-lo?”, continuou Bap.
Na sequência, o mandatário rubro-negro apontou fatores que podem dificultar uma possível mudança de praça esportiva.
“Agora, também depende do momento e das circunstâncias. Hoje em dia, o Brasil, como país, tem uma das taxas de juros mais altas do mundo. Então, se decidirmos construir um estádio para o Flamengo, esse estádio deveria custar mais de 500 milhões de euros. Os juros disso seriam de 75 milhões de euros por ano. Eu teria que pagar, em juros, quase dois Lucas Paquetá por ano. Por que eu faria isso tendo o Maracanã?”, disse o dirigente.
“Tenho terrenos, mas se algum dia os juros no Brasil voltarem a ser de 2 ou 3% ao ano, como foram há alguns anos, durante a pandemia, talvez faça sentido construir um estádio. Com os juros atuais, é melhor ter dinheiro no banco, jogar no Maracanã, que está nos dando ótimos resultados — estamos ganhando muito dinheiro no Maracanã —, e ter dinheiro para contratar Lucas Paquetá”, afirmou.
Possíveis impactos da construção de estádio
Por fim, o presidente do Flamengo avaliou possíveis impactos no clube no caso da construção de um novo estádio.
“Se eu construir um estádio, sem dúvida, toda essa estrutura que criei será afetada. Cada escolha é uma renúncia. Se eu decidir construir um estádio, certamente não haverá Samuel Lino ou Lucas Paquetá, mas poderei ter um estádio novo”, iniciou.
“O objetivo é ganhar dinheiro. É uma decisão de natureza financeira e econômica. Não posso comprometer o futuro do nosso time porque vou construir um estádio que é um projeto de 50 anos. Temos que equilibrar essas variáveis”, encerrou Bap.

