Um extenso esquema de apostas para manipular jogos da NCAA (liga universitária americana) e da Associação Chinesa de Basquete envolveu 26 pessoas, incluindo mais de uma dúzia de jogadores universitários que tentaram fraudar partidas até a temporada passada, anunciaram promotores federais na quinta-feira.
O esquema consistia em aliciadores recrutando jogadores com a promessa de grandes pagamentos em troca de um desempenho propositalmente inferior durante as partidas, segundo os promotores.
Os fraudadores então faziam grandes apostas contra as equipes desses jogadores nesses jogos, lesando casas de apostas e outros apostadores, de acordo com a denúncia divulgada na quinta-feira.
Os fraudadores começaram com dois jogos na Associação Chinesa de Basquete em 2023 e, obtendo sucesso, passaram a manipular jogos da NCAA até janeiro de 2025, segundo as autoridades. Os “pagamentos de suborno” aos jogadores variavam de US$ 10 mil a US$ 30 mil por jogo.
Quatro dos jogadores acusados – Simeon Cottle, Carlos Hart, Oumar Koureissi e Camian Shell – atuaram por suas equipes atuais nos últimos dias, embora as acusações contra eles não envolvam esta temporada.
Classificando o caso como uma “conspiração criminosa internacional”, o promotor federal David Metcalf disse a jornalistas na Filadélfia que este caso representa uma “significativa corrupção da integridade do esporte”.
As preocupações sobre apostas e esportes universitários aumentaram desde 2018, quando a Suprema Corte dos EUA derrubou uma proibição federal da prática, levando alguns estados a legalizá-la em diferentes níveis.
A NCAA não permite que atletas ou funcionários apostem em jogos universitários, embora tenha permitido brevemente que estudantes-atletas apostassem em esportes profissionais no ano passado, antes de revogar essa decisão em novembro.
Entre os acusados, 15 jogaram basquete por instituições da Divisão I da NCAA durante a temporada 2024-2025, segundo os promotores. Vários deles ainda estão jogando nesta temporada.
Outros cinco jogaram pela última vez na NCAA na temporada 2023-2024, enquanto outro, o ex-jogador da NBA Antonio Blakeney, atuou na Associação Chinesa de Basquete na temporada 2022-2023.
Os outros cinco acusados foram descritos pelas autoridades como manipuladores.
Entre eles estão dois homens que, segundo os promotores, trabalhavam no treinamento e desenvolvimento de jogadores de basquete. Outro era um preparador físico e ex-treinador, um era ex-jogador da NCAA e dois foram descritos como apostadores, influenciadores e especialistas em apostas esportivas.
Em muitos casos, as apostas dos acusados nos jogos manipulados foram bem-sucedidas.
As casas de apostas pagaram os prêmios e sofreram prejuízos, segundo as autoridades.
“As casas de apostas não teriam pago essas apostas se soubessem que os réus manipularam esses jogos”, afirma a denúncia.
Enquanto isso, outros apostadores que desconheciam o esquema perderam dinheiro em suas apostas e não teriam feito essas apostas se soubessem da manipulação, de acordo com as autoridades.
As acusações, apresentadas no tribunal federal da Filadélfia, incluem suborno, fraude eletrônica e conspiração.
Um escândalo de apostas após o outro tem abalado o mundo dos esportes, onde a receita com apostas ultrapassou US$ 11 bilhões nos primeiros três trimestres do ano passado, segundo a Associação Americana de Jogos. Isso representa um aumento de mais de 13% em relação ao ano anterior, informou o grupo.
A denúncia surge após uma série de investigações da NCAA que resultou em pelo menos 10 jogadores recebendo banimentos vitalícios este ano por apostas que, às vezes, envolviam suas próprias equipes e desempenhos.
A NCAA informou que pelo menos 30 jogadores foram investigados por alegações de apostas. Mais de 30 pessoas também foram acusadas no ano passado durante a extensa operação federal de desmantelamento de operações ilegais de apostas ligadas ao basquete profissional.

