Roger Federer afirmou que o “céu é o limite” para João Fonseca em sua segunda temporada completa no circuito profissional de tênis. Em coletiva em Melbourne, antes do Australian Open, o dono de 20 Grand Slams respondeu a uma pergunta sobre a joia brasileira. Elogiou os golpes e a personalidade do carioca de 19 anos e destacou que o novato irá desenvolver ainda mais suas jogadas. João Fonseca treinou, nesta madrugada, com Cruz Hewitt — filho do ex-número 1 do mundo Lleyton Hewitt, um dos principais adversários de Gustavo Kuerten nos anos 2000. Ele também conheceu seu adversário de estreia no Australian Open — ele vai enfrentar o americano Elito Spizzirri em data a ser confirmada.
Federer reforçou a qualidade dos golpes de João:
— Eu acho que o que o separa de outros caras da chave é a potência dele: forehand, backhand, saque e apenas o que ele é capaz de trazer no ponto a ponto. Ele é empolgante, tem uma boa aura. Sinto que ele tem uma personalidade muito fácil de gostar também. Eu gosto de vê-lo jogar, para ser honesto. Eu o conheci brevemente na Laver Cup, eu o assisti pelo fundo e pela lateral da quadra e foi impressionante de ver — afirmou o suíço, o qual é um dos organizadores da Laver Cup, torneio amistoso que reúne os principais nomes do tênis sempre no segundo semestre.
A lenda do tênis ainda disse que, naturalmente, João vai se desenvolver como um jogador mais completo.
— Obviamente, só acho que ele é um pouco mais como eu no sentido de que ele precisa de um pouco mais de tempo para trabalhar o seu jogo. Semelhante ao Sinner, também para saber quando descarregar e quando segurar seus golpes. Uma vez que ele descubra, e ele vai descobrir isso, obviamente, o céu é o limite.
João Fonseca é o 28º dos 32 cabeças de chave do Australian Open — primeira vez em que será um dos pré-classificados num Grand Slam. Com isso, ele enfrenta nas primeiras rodadas um adversário de ranking inferior. João, nesta semana, está em 30º lugar na lista da ATP. O sorteio da chave pôs o italiano Jannik Sinner — dois do mundo e atual bicampeão em Melbourne — como possível rival na terceira rodada.
— Vou jogar com um pouco mais de pressão. Vai ser divertido e uma experiência nova, mas estou bem e confiante, então vamos dar tudo e fazer o nosso melhor — disse João ao jornal “Observer”. — Comecei o ano (2025) em 140º no ranking mundial e terminei entre os 25 melhores, conquistando dois títulos importantes, um no saibro e outro em quadra coberta. Foi incrível para mim, com muitas vitórias, e tive algumas semanas fantásticas. Estou muito feliz com meu jogo e meu nível. Espero conseguir manter esse ritmo.
Ele ainda frisou que esta temporada será a sua primeira defendendo pontos regularmente no circuito — 2025 foi o primeiro ano completo dele no circuito.
— É muito diferente. Agora estou entre os melhores do mundo e a maioria dos jogadores me conhece. Nunca na minha carreira tive um ano em que precisei defender pontos. Eu sempre estive progredindo e jogando contra adversários de ranking superior. Eu sempre fui o azarão, o mais jovem, com alguma experiência, e jogando o meu melhor.
O brasileiro jamais enfrentou o americano Eliot Spizzirri — adversário da estreia na Austrália — em chaves principais. Duelaram uma vez, no qualifying para o US Open 2024, e o americano — atual número 89 do mundo — venceu em três sets. Antes do Australian Open, o brasileiro disputaria dois torneios: Brisbane e Adelaide. Com dores na lombar, ele desistiu. Nesta semana, treinou ainda em Adelaide e seguiu para Melbourne nesta quarta-feira.

