Esse tarifaço de Donald Trump não poupou os amigos. Prevaleceu uma velha tese, muito comum na diplomacia americana (mas não só lá, claro), de que os países não têm amigos — têm interesses.
Veja o caso da Argentina de Javier Milei, notório puxa-saco de Trump: terá tarifas de 10%, o mesmo percentual do Brasil de Lula, que não morre de amores pelo presidente americano — e vice-versa.
Aliás, Milei viaja hoje para a Flórida e espera se encontrar com Trump. Acredite: esta é a terceira vez que o presidente cabeludo do país vizinho visita os EUA nos últimos 90 dias. Viagem às custas do contribuinte argentino, naturalmente. E tem mais: nesse tarifaço, há um exemplo ainda mais significativo dessa máxima “amigos, amigos; negócios à parte”. Israel, de Benjamin Netanyahu, unha e carne dos americanos, terá tarifas de 17%.
O que disse o presidente da Argentina
O presidente da Argentina, Javier Milei, celebrou publicamente a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa básica universal de 10% sobre todos os produtos importados. Em publicação na rede X, Milei compartilhou o clipe da música “Friends Will Be Friends”, do Queen, com a legenda: “Friends will be friends… TMAP” — (na tradução, “amigos serão amigos”, e “tudo caminhando conforme o plano”, na sigla em espanhol).
A tarifa atinge as exportações argentinas com o mesmo percentual aplicado ao Brasil, Colômbia e Chile. Entre as maiores potências, China, União Europeia, Reino Unido e Índia foram os mais impactados, com tarifas de até 34%.
Aliados de Milei interpretaram a medida como positiva. “É equivalente a um tratado de livre comércio”, disse o deputado Agustín Romo. Já o diretor de Comunicação da Presidência, Juan Pablo Carreira, afirmou que a Argentina ganhou vantagem competitiva com a medida. “O que Trump fez é impressionante”, publicou na rede social.