Em entrevista à emissora CNN International, Kamal Kharazi, assessor de política externa do gabinete do líder supremo do Irã, descartou a diplomacia no momento e afirmou que a guerra só terminará com pressão econômica – sinalizando um endurecimento da posição do regime.
A autoridade alertou ainda que o regime iraniano está preparado para uma longa guerra com os Estados Unidos e sinalizou que está disposto a continuar atacando os países do Golfo em um esforço para persuadi-los a convencer o presidente Donald Trump a recuar.
“Não vejo mais espaço para diplomacia. Donald Trump tem enganado os outros e não tem cumprido suas promessas, e vivenciamos isso em duas ocasiões durante as negociações – enquanto estávamos negociando, fomos atacados”, disse Kharazi durante a entrevista nesta segunda-feira (9).
“Não há espaço para mais nada, a menos que a pressão econômica aumente a ponto de outros países intervirem para garantir o fim da agressão de americanos e israelenses contra o Irã”, disse Kharazi, sugerindo que os países árabes do Golfo e outras nações precisam pressionar os EUA para que encerrem a guerra.
“Esta guerra tem gerado muita pressão – pressão econômica – sobre outros países, em termos de inflação, de escassez de energia, e se continuar, essa pressão aumentará ainda mais, e, portanto, outros países não terão outra escolha senão intervir”, afirmou.
Desde que os EUA e Israel iniciaram a guerra, o Irã atacou diversos países do Oriente Médio. Teerã alega que está visando interesses americanos nas nações do Golfo, mas prédios residenciais e aeroportos também têm sido alvos frequentes de ataques.
Um porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica afirmou no domingo (8) que o Irã está usando 60% de seu poder de fogo para atacar bases americanas e “interesses estratégicos” na região.
Autoridade do Irã diz que liderança está unida
Enquanto isso, Mojtaba Khamenei, o segundo filho de Ali Khamenei, foi alçado ao cargo mais alto do país no fim de semana, um indício de que uma escalada ainda maior no conflito é provável.
Questionado se as Forças Armadas iranianas e a liderança suprema estão unidas daqui para frente, Kharazi respondeu: “Sim, exatamente”.
“A responsabilidade do líder da República Islâmica do Irã é liderar a capacidade de defesa do país e, portanto, assim como o aiatolá Khamenei fazia isso, o novo líder também fará”, afirmou.
Trump disse na semana passada que a nomeação de Khamenei como sucessor de seu pai seria “inaceitável” para ele.
“Isso não é da conta dele”, respondeu Kharazi sobre o comentário.
Ataques do Irã impactam comércio global de energia
Os ataques iranianos também exploraram a fragilidade do comércio global de energia, incluindo infraestrutura e rotas de trânsito.
O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz praticamente entrou em colapso, fazendo com que os preços do petróleo bruto ultrapassassem os US$ 100 (equivalente a cerca de R$ 521) por barril nesta segunda-feira, abalando os consumidores e o mercado de ações.
Estima-se que 20% do fornecimento mundial de petróleo tenha sido interrompido pela guerra, aproximadamente o dobro do recorde estabelecido durante a Crise de Suez de 1956 e 1957, de acordo com dados históricos do Rapidan Energy Group.
A guerra não apenas interrompeu o fluxo de petróleo para fora da região, como também eliminou efetivamente a “capacidade de reserva” que normalmente serve como amortecedor nos mercados de energia.
A capacidade de reserva mede quanta produção adicional de petróleo poderia ser rapidamente retomada, se necessário.

