O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (16) que “se convenceu” a suspender uma possível ação militar contra o Irã, em parte porque o regime iraniano teria cancelado execuções planejadas de manifestantes detidos.
“Ninguém me convenceu. Eu me convenci”, disse Trump a repórteres na Casa Branca, enquanto partia para a Flórida.
Ele foi questionado se os aliados dos EUA no Oriente Médio o ajudaram a deixar de lado a ideia de ataques. Arábia Saudita e Catar trabalharam para diminuir a tensão entre Irã e Estados Unidos. Além disso, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também ligou para o líder americano.Play Video
Trump também abordou execuções que estariam planejadas no Irã, destacando que a decisão da liderança iraniana de suspendê-las influenciou seu raciocínio.
“Eles iriam enforcar mais de 800 pessoas ontem, e eu respeito muito o fato de terem cancelado isso”, disse ele à imprensa internacional.
Entenda os protestos no Irã
Protestos antigoverno no Irã eclodiram no país no final de dezembro, em uma onda de agitação nacional que representa o maior desafio ao regime em anos.
Os protestos começaram como manifestações nos bazares de Teerã contra a inflação desenfreada, mas se espalharam pelo país e se transformaram em manifestações mais gerais contra o regime.
As preocupações com a inflação atingiram o auge na semana passada, quando os preços de produtos básicos como óleo de cozinha e frango dispararam dramaticamente da noite para o dia, com alguns produtos desaparecendo completamente das prateleiras.
A situação foi agravada pela decisão do banco central de encerrar um programa que permitia a alguns importadores acessar dólares americanos mais baratos em comparação ao restante do mercado – o que levou lojistas a aumentarem os preços e alguns a fecharem suas portas, iniciando os protestos.
A decisão dos bazaaris, como são conhecidos, é uma medida drástica para um grupo tradicionalmente alinhado à República Islâmica.
O governo liderado por reformistas tentou aliviar a pressão ao oferecer transferências diretas de quase US$ 7 por mês, mas a medida não conseguiu conter a insatisfação.
As autoridades cortaram o acesso à internet e as linhas telefônicas na quinta-feira (8) – a maior noite de manifestações nacionais até agora – deixando o Irã praticamente isolado do mundo exterior.
Organizações de direitos humanos disseram que centenas de pessoas foram mortas desde o início dos protestos.
Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã se as forças de segurança responderem com força. O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, pediu a Trump que “foque em seu próprio país” e culpou os EUA por incitarem os protestos.

