O governo dos Estados Unidos poderá subsidiar petroleiras para a reconstrução da infraestrutura energética da Venezuela, afirmou o presidente Donald Trump nesta segunda-feira (5).
Segundo o republicano, o projeto poderia ser feito em um ano e meio. O presidente não descarta que o trabalho seja concluído antes do prazo, “mas vai custar muito dinheiro”, afirmou em entrevista à NBC News.
“Uma quantia enorme de dinheiro terá que ser gasta, e as companhias petrolíferas gastarão esse dinheiro, e depois serão reembolsadas por nós ou através da receita”, disse.
As falas ocorrem na esteira das expectativas de petroleiras dos EUA voltarem à Venezuela após a prisão de Nicolás Maduro, em uma operação militar norte-americana no sábado (3).
A Venezuela detém a maior reserva de petróleo do mundo, apesar do sucateamento da infraestrutura ao longo dos últimos anos.
Ao dar mais detalhes da operação, Trump disse que quer que as companhias dos EUA retornem ao país. Atualmente, somente a Chevron tem licença para operar na Venezuela.
“Vamos fazer com que nossas grandes empresas petrolíferas dos Estados Unidos, as maiores do mundo, entrem, gastem bilhões de dólares, consertem a infraestrutura severamente danificada, a infraestrutura do petróleo, e comecem a gerar dinheiro para o país”, disse Trump durante o fim de semana.
Apesar do otimismo, especialistas apontam uma série de dificuldades para a retomada das atividades — ao custo de bilhões de dólares.
A consultoria internacional de energia Wood Mackenzie calculou, dias antes da captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, que aumentar a produção de petróleo na Venezuela em 500 mil barris por dia custaria R$ 20 bilhões nos próximos 10 anos.
A Venezuela tem as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, de 303 bilhões de barris (17% do total global), mas produziu somente 900 mil barris por dia em 2025 (1% do total global) — resultado da falta de investimento, degradação de infraestrutura e sanções internacionais.
Trump se recusou a dizer quanto ele acredita que custaria às empresas reparar e modernizar a infraestrutura. “Será um investimento muito substancial” por parte das companhias petrolíferas, disse Trump. “Mas elas se sairão muito bem.”
O presidente também negou que o governo norte-americano havia avisado as companhias da ação na Venezuela, apesar da crescente presença militar na costa do país sul-americano ao longo dos últimos meses.
“As companhias petrolíferas tinham plena consciência de que estávamos pensando em fazer algo”, disse Trump. “Mas não lhes dissemos que íamos fazer isso”.
Extrair mais petróleo da Venezuela exigiria reconstruir a infraestrutura petrolífera deteriorada do país, o que custaria, segundo o próprio Trump, bilhões de dólares. Além disso, o preço do petróleo não está em patamares que tornariam esse tipo de investimento uma decisão fácil.
Soma-se a isso o fato de que refinar o tipo específico de petróleo venezuelano é, por si só, um empreendimento custoso.
“Toda essa situação deixa mais perguntas do que respostas sobre o futuro político da Venezuela, e isso estará em primeiro plano nas mentes dos planejadores corporativos e da indústria que queiram considerar as boas oportunidades existentes lá”, afirmou Clayton Seigle, pesquisador sênior do Programa de Segurança Energética e Mudanças Climáticas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

