O Irã alertou os países vizinhos que abrigam tropas americanas de que retaliará bases dos Estados Unidos caso Washington cumpra as ameaças de intervir nos protestos no país, disse um alto funcionário iraniano à agência de notícias Reuters nesta quarta-feira (14).
Três diplomatas afirmaram que alguns militares foram aconselhados a deixar a principal base aérea americana na região, embora não haja indícios imediatos de uma retirada de tropas em larga escala, como a que ocorreu horas antes do ataque com mísseis iranianos no ano passado.
O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou intervir em apoio aos manifestantes no Irã, onde um grupo de direitos humanos afirmou que mais de 2.500 pessoas foram mortas nos últimos dias em uma repressão a um dos maiores movimentos de protesto contra o regime teocrático.
Segundo uma avaliação israelense, Trump decidiu intervir, embora o alcance e o momento dessa ação permaneçam incertos, afirmou um oficial israelense.
Três diplomatas disseram à Reuters que alguns militares foram aconselhados a deixar a Base Aérea de Al Udeid, no Catar, até a noite desta quarta-feira.
Um dos diplomatas descreveu a medida como uma “mudança de postura” em vez de uma “retirada ordenada”.
Não havia indícios de uma movimentação em larga escala de tropas da base para um estádio de futebol e um shopping center próximos, como ocorreu no ano passado, horas antes de o Irã atacar a base com mísseis em retaliação aos ataques aéreos americanos contra alvos nucleares iranianos.
A embaixada americana em Doha não se pronunciou imediatamente e o Ministério das Relações Exteriores do Catar não respondeu de imediato a um pedido de comentário.
Trump vem ameaçando abertamente intervir no Irã há dias, embora sem dar detalhes.
Em entrevista à CBS News na terça-feira (13), o presidente americano prometeu “ações muito fortes” caso o Irã execute manifestantes.
“Se eles os enforcarem, vocês verão o que acontece”, disse o republicano. Ele também incentivou os iranianos na terça-feira a continuarem protestando e a tomarem o controle das instituições, declarando que “a ajuda está a caminho”.
Uma fonte iraniana, que falou sob condição de anonimato, afirmou que Teerã pediu aos aliados dos EUA na região que “impeçam Washington de atacar o Irã”.
“Teerã informou aos países da região, da Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos à Turquia, que as bases americanas nesses países serão atacadas” caso os EUA ataquem o Irã, afirmou a fonte.
A fonte acrescentou que os contatos diretos entre o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, e o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, foram suspensos, refletindo o aumento das tensões.
Uma segunda fonte israelense, funcionário do governo, afirmou que o gabinete de segurança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi informado na noite de terça-feira sobre as chances de colapso do regime ou de intervenção dos EUA no Irã.
Israel travou um conflito de 12 dias contra seu arqui-inimigo no ano passado, no qual os Estados Unidos entraram no final.
Os EUA mantêm forças em toda a região, incluindo o quartel-general avançado do Comando Central em Al Udeid, no Catar, e o quartel-general da Quinta Frota da Marinha dos EUA no Bahrein.

