O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, nesta sexta-feira (27), em Paris.
O Itamaraty publicou uma foto das autoridades discutindo às margens do encontro de chanceleres do G7, que aconteceu em Vaux-de-Cernay, na França.
“Foram tratadas questões comerciais e o diálogo em curso para o aprofundamento da cooperação bilateral no combate ao crime organizado transnacional”, afirmou o Itamaraty.
Em seguida, o chanceler brasileiro partiu para Iaundê, capital de Camarões, onde chefiará a delegação brasileira na 14ª conferência ministerial da OMC (Organização Mundial do Comércio) a partir deste sábado (28).
Segundo apuração, o governo Lula tenta evitar que os EUA classifiquem facções, como PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho), como organizações terroristas. Para o Brasil, a medida impõe risco à soberania e ao país graves consequências.
Se os EUA declararem unilateralmente facções como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como terroristas, a avaliação é de que uma brecha seria aberta, facilitando uma intervenção militar no país e a aplicação de novas sanções, inclusive financeiras.
Em maio de 2025, representantes do governo Trump foram recebidos por técnicos do Ministério da Justiça e Segurança Pública e ouviram que, para o Brasil, facções como CV e PCC não podem ser classificadas pela legislação do país como organizações terroristas, e sim como criminosas.
Em comunicado enviado à imprensa no início de março, o Departamento de Estado americano afirmou que “as organizações criminosas brasileiras, incluindo o PCC e o CV, como ameaças significativas à segurança regional devido ao seu envolvimento com o tráfico de drogas, a violência e o crime transnacional”.
“Não adiantamos possíveis designações terroristas nem sobre deliberações a respeito de designações terroristas. Estamos totalmente comprometidos em tomar as medidas cabíveis contra grupos estrangeiros envolvidos em atividades terroristas”, concluiu.
Segundo apuração, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou a equipe de governo a reagir com cautela à possibilidade de os Estados Unidos classificarem facções criminosas brasileiras como terroristas.
A avaliação no Palácio do Planalto é de que o assunto deve ser concentrado nas negociações diplomáticas, evitando cair em “balões de ensaio”.
O diagnóstico até agora no governo brasileiro é de que se trata mais de um discurso retórico do governo de Donald Trump do que uma iniciativa concreta.
E que o governo brasileiro deve evita arroubos discursivos, até para não provocar os Estados Unidos e inviabilizar um encontro entre Lula e Trump em abril.

