Um acidente em que um trem de alta velocidade descarrilou e colidiu com um trem que vinha em sentido contrário, no sul da Espanha, deixou pelo menos 39 pessoas mortas na noite de domingo (18), em um dos piores acidentes ferroviários na Europa nos últimos 80 anos.
A colisão ocorreu perto da cidade de Adamuz, na província de Córdoba, a cerca de 360 km ao sul de Madri, também feriu 122 pessoas, com 12 em tratamento intensivo, segundo os serviços de emergência.
Especialistas que investigam a causa do descarrilamento encontraram uma junta quebrada nos trilhos, segundo uma fonte a par das investigações iniciais sobre o desastre.
Técnicos no local, analisando os trilhos, identificaram um desgaste na junta entre as seções do trilho, conhecida como talão de junção, o que, segundo eles, indicava que a falha já existia há algum tempo, informou a fonte.
O que sabemos sobre o acidente
Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (19), a junta defeituosa criou uma folga entre os trilhos, que aumentou à medida que os trens continuavam a circular.
A fonte a par da investigação, que preferiu não ser identificada devido à delicadeza do assunto, afirmou que os técnicos acreditam que a junta defeituosa é fundamental para determinar a causa exata do acidente.
Os primeiros vagões do trem, operado pela empresa espanhola Iryo, passaram sobre o vão nos trilhos, mas o oitavo e último vagão descarrilou, arrastando consigo o sétimo e o sexto vagões, informou a fonte.
A Iryo é uma operadora ferroviária privada, controlada majoritariamente pelo grupo ferroviário estatal italiano Ferrovie dello Stato.
Havia cerca de 400 passageiros nos dois trens, de acordo com declarações das duas operadoras dos trens, a Iryo e a Alvia, da estatal Renfe.Descarrilamento na Espanha • @eleanorinthesky via X
A fonte apontou para uma fotografia que mostra o vão no trilho vertical, que também consta em uma imagem divulgada à imprensa pela Guarda Civil espanhola.
A fabricante de trens, Hitachi Rail, realizou uma inspeção no trem em 15 de janeiro como parte da manutenção de rotina e não encontrou nenhuma anomalia, disse a fonte à Reuters.
O trem é um Frecciarossa 1000, o mesmo modelo usado na rede de alta velocidade da Itália.
A operação de resgate foi complicada devido à localização remota do acidente, em uma região montanhosa e de cultivo de oliveiras. O acesso ao local só era possível por uma estrada de pista simples, o que dificultava a entrada e saída de ambulâncias, disse Iñigo Vila, diretor nacional de emergências da Cruz Vermelha Espanhola, à agência de notícias Reuters.
Relatos de sobrevivente
“O trem tombou para um lado… então tudo ficou escuro, e só ouvi gritos”, disse Ana, uma jovem que viajava de volta para Madri e que estava sendo tratada em um centro da Cruz Vermelha em Adamuz.
Mancando e enrolada em um cobertor, com o rosto coberto de curativos, ela descreveu como foi arrastada para fora do trem, coberta de sangue, por outros passageiros. Os bombeiros resgataram sua irmã grávida dos destroços e uma ambulância as levou para o hospital.
“Havia pessoas que estavam bem e outras que estavam muito, muito feridas. Você as tinha bem na sua frente e sabia que elas iam morrer, mas não podia fazer nada”, disse ela.
A polícia disse que abriu um escritório em Córdoba para que os parentes forneçam amostras de DNA para ajudar a identificar os mortos.
O número de mortos é o maior de um acidente de trem na Espanha desde 2013, quando um trem descarrilou na cidade de Santiago de Compostela, no noroeste do país, e pegou fogo, matando 80 pessoas e ferindo 145.
Esse acidente está entre os 20 mais mortais da Europa nos últimos 80 anos, conforme dados do Eurostat.

