A comunidade internacional deve deixar claro que a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela é uma violação do direito internacional que torna o mundo menos seguro, afirmou o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos nesta terça-feira (6).
As forças americanas depuseram o ditador venezuelano Nicolás Maduro em uma operação surpresa no fim de semana.
Ele enfrenta quatro acusações criminais nos EUA, incluindo narcoterrorismo, e a vice-presidente de Maduro assumiu a presidência interina.
“É evidente que a operação minou um princípio fundamental do direito internacional: os Estados não devem ameaçar ou usar a força contra a integridade territorial, ou a independência política de qualquer Estado”, afirmou o gabinete.
“A comunidade internacional precisa se unir em uma só voz para insistir nisso”, declarou Ravina Shamdasani, principal porta-voz do escritório, a jornalistas.
Longe de ser uma vitória para os direitos humanos, a intervenção militar prejudica a estrutura da segurança internacional e torna todos os países menos seguros, afirmou ela.
“Isso transmite a mensagem de que os poderosos podem fazer o que bem entenderem”, acrescentou.
O futuro da Venezuela deve ser determinado exclusivamente pelo seu povo, declarou a porta-voz, acrescentando que a instabilidade e a maior militarização só agravariam a situação dos direitos humanos no país.
A queda de Maduro
A Venezuela permanece em turbulência dias após Nicolás Maduro e a esposa dele, Cilia Flores, terem sido capturados por forças americanas em Caracas.
Na segunda-feira (6), Maduro e Flores se declararam inocentes das acusações de tráfico de drogas e porte de armas em sua primeira aparição no tribunal, em Nova York, na qual Maduro declarou: “Eu ainda sou o presidente do meu país.”
A próxima audiência está marcada para 17 de março. Nem Maduro, nem Flores estão buscando fiança ou libertação imediata.
Na Venezuela, Delcy Rodríguez, aliada de Maduro, tomou posse como presidente interina ainda na segunda-feira, embora o presidente Donald Trump tenha afirmado repetidamente que está no comando e não tenha descartado uma intervenção militar mais ampla no país sul-americano caso o regime não coopere.

