A Paramount está levando a disputa pela aquisição da Warner Bros. Discovery aos tribunais.
Nesta segunda-feira (12), o CEO da Paramount, David Ellison, anunciou uma ação judicial no Tribunal de Delaware, onde acionistas geralmente resolvem disputas corporativas, em uma tentativa de aquisição hostil da empresa de entretenimento.
Ellison critica a Warner Bros. Discovery, também conhecida como WBD, pela “falta de transparência” em relação à oferta da Netflix pela Warner Bros. e HBO.
Um porta-voz da WBD não se manifestou imediatamente, mas a escalada para um processo judicial já havia sido prevista por analistas de Wall Street.
Ellison vem tentando há meses comprar a WBD e todas as suas frentes, mas os pedidos foram recusados. Ele propôs comprar as ações por US$ 30 cada.
O CEO da Paramount também disse que planeja nomear diretores para o Conselho da Warner, ameaçando uma disputa por procuração.
A disputa por procuração é uma espécie de plano B, caso um número suficiente de acionistas da Warner não concorde em vender as ações para a Paramount nas próximas semanas.
A assembleia anual de acionistas da Warner ainda não foi agendada. No ano passado, ocorreu em junho.
A WBD afirmou que está prosseguindo com o acordo assinado para vender os ativos da Warner Bros. Discovery e da HBO para a Netflix por US$ 27,75 por ação.
A Netflix declarou na semana passada que está em negociações com os órgãos reguladores dos Estados Unidos e da União Europeia para obter as aprovações necessárias para o negócio.
Mas a oferta hostil de aquisição da Paramount significa que uma enorme interrogação paira sobre todo o império da mídia.
Ellison afirmou nesta segunda (12) que o processo decisório da WBD “simplesmente não faz sentido – assim como os cálculos que explicam por que a WBD continua preferindo aceitar menos do que a oferta de US$ 30 por ação”.
A WBD levantou uma série de preocupações sobre o financiamento da dívida da Paramount, as condições onerosas relacionadas à oferta e outras questões.
O conselho da WBD também mencionou o valor potencial de ativos de TV a cabo, que a Netflix não está adquirindo.
A Paramount argumentou que os canais têm pouco valor patrimonial. O processo judicial em Delaware buscará mais informações sobre a avaliação “para que”, apontou Ellison, “os acionistas da WBD tenham o que precisam para tomar uma decisão de fato”.
Os principais acionistas da WBD estão divididos em relação à Paramount, com alguns considerando a proposta mais favorável e outros preferindo o acordo com a Netflix.
Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que se envolverá pessoalmente na análise de qualquer fusão, levantando dúvidas sobre se preferências pessoais influenciarão o resultado.
No fim de semana, Trump publicou um link na Truth Social para um artigo de opinião de um mês atrás da One America News Network intitulado “Pare a Dominação Cultural da Netflix”. A coluna dizia: “É hora de dizer não a um monopólio midiático progressista”.
A Netflix demonstrou confiança em concluir o negócio nos próximos doze a dezoito meses.
A oferta da Paramount expira em 21 de janeiro, mas a empresa pode prorrogá-la.

