Reino Unido e França anunciaram nesta terça-feira (6) que enviarão tropas à Ucrânia caso seja firmado um acordo de paz com a Rússia. A declaração foi feita pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, após reunião em Paris com o presidente francês Emmanuel Macron e o presidente ucraniano Volodimir Zelenski.
O grupo, conhecido como “Coalizão dos Dispostos”, reúne líderes europeus e representantes dos Estados Unidos, que também participaram das negociações em Paris.
Segundo Starmer, a assinatura da “declaração de intenção” abre caminho para a criação de uma estrutura legal que permitirá a atuação das forças britânicas, francesas e de países parceiros em solo ucraniano. O objetivo é garantir a segurança do país, proteger seus céus e mares, e ajudar na reconstrução das forças armadas ucranianas para o futuro.
“Este é um compromisso firme e duradouro para apoiar a Ucrânia a longo prazo”, afirmou Starmer. Ele também anunciou a instalação de “centros militares” em território ucraniano para facilitar a implantação e o armazenamento de equipamentos militares, caso o cessar-fogo seja concretizado.
O presidente Zelenski classificou o anúncio como um “grande avanço” e destacou que, embora seja um passo importante, a paz só será alcançada quando o conflito terminar de fato. “Estamos cada vez mais próximos, mas ainda não é suficiente”, disse.
A expectativa é que a força multinacional atue como um mecanismo de dissuasão para evitar novas agressões russas e contribua para a reconstrução do país após anos de conflito.
O enviado especial americano, Steve Witkoff, afirmou que os protocolos de segurança estão praticamente finalizados e que os EUA estão empenhados em garantir um acordo robusto que assegure a prosperidade e a estabilidade da Ucrânia.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, também participou das discussões e afirmou que a Alemanha continuará apoiando a Ucrânia política, financeira e militarmente, inclusive com presença em áreas vizinhas da Otan após o cessar-fogo.
As negociações avançam em meio a tensões geopolíticas, incluindo a recente intervenção dos EUA na Venezuela e debates sobre a Groenlândia, que têm impactado as relações entre Washington e aliados europeus.

