A Rússia lançou nesta terça-feira (3) o seu maior ataque com mísseis e drones contra a Ucrânia neste ano, segundo as autoridades ucranianas.
Milhares de pessoas ficaram sem aquecimento enquanto as temperaturas caíam significativamente.
Equipes da CNN na capital, Kiev, relataram ter ouvido várias explosões fortes na cidade, e autoridades em Dnipro, Kharkiv, Sumy e Odessa confirmaram ataques russos.
O presidente russo, Vladimir Putin, concordou na semana passada em suspender os ataques a grandes cidades ucranianas e à infraestrutura energética até domingo (1°), após um “pedido pessoal” do líder americano, Donald Trump, segundo o Kremlin.
A pausa também ocorreu após negociações trilaterais entre Rússia, Ucrânia e EUA em Abu Dhabi, as primeiras desde a invasão de Moscou em fevereiro de 2022.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que o ataque russo teve como alvo instalações energéticas em pelo menos seis regiões e envolveu 70 mísseis e 450 drones, o que, segundo uma contagem da CNN, representa o maior ataque do ano até o momento.
“Aproveitar os dias mais frios do inverno para aterrorizar as pessoas é mais importante para a Rússia do que recorrer à diplomacia”, pontuou Zelensky nesta terça.
Quase 1.200 prédios residenciais em dois distritos da capital ficaram sem aquecimento devido aos ataques, segundo o prefeito Vitaliy Klitschko.
Além de prédios residenciais, um jardim de infância também foi danificado, de acordo com relatos, escreveu Tymur Tkachenko, chefe da administração militar de Kiev, no Telegram.
Pelo menos três pessoas ficaram feridas no ataque à capital, informou o Serviço Estatal de Emergência da Ucrânia.
Um vídeo publicado pelo Serviço Estatal de Emergência mostra chamas saindo de um prédio e equipes de resposta trabalhando durante a noite em condições de frio extremo.
População se abriga no metrô com temperaturas congelantes
Em Odessa, no sul da Ucrânia, mais de 50 mil pessoas ficaram sem energia elétrica, segundo a administração militar regional.
Kharkiv, a segunda maior cidade do país, também foi atacada por mísseis e drones russos que visavam a infraestrutura energética da cidade, causando danos que deixarão pelo menos 820 prédios altos sem aquecimento, destacou o prefeito Ihor Terekhov no Telegram.
“O objetivo é óbvio: causar o máximo de danos e deixar a cidade sem aquecimento em meio a uma forte geada”, afirmou Terekhov.
Dnipro, no leste da Ucrânia, foi alvo de mísseis balísticos, segundo a Força Aérea Ucraniana.
Os moradores de Kiev permaneceram sob alerta aéreo por sete horas, e o ataque ocorreu em um momento em que os ucranianos enfrentam algumas das temperaturas mais baixas deste inverno.
Na manhã desta terça-feira, horário local, a temperatura em Kiev era de −20 °C e em Kharkiv, −25 °C.
Moradores foram vistos buscando abrigo no metrô da capital, agasalhados com casacos e gorros grossos, e encolhidos sob sacos de dormir e cobertores.
Esta é a primeira vez que se relatam ataques a instalações de energia e grandes cidades desde a última quinta-feira (29), segundo as autoridades ucranianas.
No entanto, a Rússia continuou atacando rotas logísticas e infraestrutura de transporte durante esse período, com resultados mortais.
“No frio congelante, os russos decidiram lançar outro ataque massivo contra Kiev”, afirmou Tkachenko após os ataques na madrugada desta terça.
Ataque da Rússia atinge termelétricas
A maior empresa privada de energia da Ucrânia, a DTEK, disse que o ataque na madrugada desta terça-feira (3) atingiu usinas termelétricas, danificando infraestrutura e equipamentos energéticos críticos “num momento em que o aquecimento e a eletricidade são essenciais”.
A empresa está em “modo de sobrevivência”, relatou seu CEO à CNN, acrescentando que as próximas semanas serão críticas, enquanto o país enfrenta temperaturas em “queda livre” e a “pior condição do nosso sistema energético na história moderna”.
A DTEK opera atualmente cinco usinas termelétricas na Ucrânia, das quais duas estão paralisadas e as outras três funcionam com baixa capacidade, disse Maxim Timchenko à CNN na segunda-feira (2), em entrevista concedida em Dnipro.
Ele afirmou que a empresa está trabalhando para reparar os danos causados pelos repetidos ataques russos, mas que isso muitas vezes não é possível em condições climáticas de congelamento.
Sua maior esperança agora é que o cessar-fogo energético anunciado na semana passada, que, segundo ele, trouxe uma trégua de cinco dias nos ataques às usinas termelétricas da DTEK, seja prorrogado nas negociações em Abu Dhabi nesta semana.
A DTEK informou no domingo (1°) que Moscou lançou um “ataque em grande escala” contra suas minas de carvão na região, atingindo um ônibus que transportava mineiros que haviam acabado de terminar o turno, matando pelo menos 12 pessoas.
Negociações entre Rússia, Ucrânia e EUA
Antes das negociações em Abu Dhabi, a Rússia havia intensificado os ataques à infraestrutura energética da Ucrânia, deixando vastas áreas do país enfrentando escassez e apagões em pleno inverno.
O Kremlin confirmou que a próxima rodada de negociações trilaterais entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos, visando pôr fim à guerra, ocorrerá nesta quarta (4) e quinta-feira (5) em Abu Dhabi.

