O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, disse que os apelos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela anexação da ilha criaram uma situação que pode mexer “com a ordem mundial”.
“O direito internacional não é um jogo. E se não fizermos isso, é claro que as alianças cairão, e isso seria muito ruim”, pontuou Nielsen aos repórteres.
Respondendo a uma pergunta anterior, ele também disse que “é improvável que haja uso de força militar”, mas que essa possibilidade “não pode ser descartada”, segundo uma tradução da agência Reuters.
Ele também sublinhou que a Groenlândia estava grata aos aliados e à União Europeia “por dizerem constantemente que precisamos respeitar a ordem mundial”.
A Groenlândia possui uma base militar dos EUA há 75 anos, e mantém uma estreita relação econômica com o aliado da Otan.
Nielsen referiu-se a estes laços históricos, dizendo que “podemos fazer muito mais nesse quadro”.
“Estamos dispostos a cooperar muito mais, mas, claro, com respeito mútuo. E se não conseguirmos ver isso, será muito difícil ter uma parceria boa e confiável”.
Entenda a crise na Groenlândia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que deseja obter o controle da Groenlândia, uma ilha ártica semiautônoma controlada pela Dinamarca.
Ele argumenta que a ilha é fundamental para a estratégia militar americana, já que fica na rota mais curta da Europa para a América do Norte, o que é vital para o sistema de alerta de mísseis balísticos dos EUA.
Trump também já expressou interesse em expandir as tropas americanas na ilha, onde já há presença permanente de soldados dos EUA na base área de Pituffik.
Um acordo de 1951 entre os EUA e a Dinamarca concedeu a Washington o direito de circular livremente e construir bases militares na Groenlândia, desde que Copenhague e a ilha sejam notificadas.
O país quer instalar radares para monitorar as águas entre a Groenlândia, a Islândia e o Reino Unido, utilizadas por navios da marinha russa e submarinos nucleares.
Mas as ameaças do líder americano têm afetado diretamente a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) aliança militar entre países que tanto os EUA quanto a Dinamarca fazem parte.
As nações europeias que também compõe a organização estão preocupadas com uma possível tomada da região “à força” pelos americanos, o que acarretaria em riscos da Otan se desfazer.
Embora o secretário de Estado Marco Rubio tenha tentado minimizar as preocupações sobre uma intervenção militar, dizendo que a administração Trump está considerando comprar a Groenlândia, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, soou o alarme.
“Se os EUA optarem por atacar militarmente outro país da Otan, então tudo para, incluindo a própria aliança militar e, consequentemente, a segurança que foi estabelecida desde o fim da Segunda Guerra Mundial.”
Países europeus já enviaram um pequeno número de militares para a Groenlândia para participar de exercícios conjuntos com a Dinamarca.
Embora não seja necessariamente incomum que países da Otan enviem recursos militares para exercícios na Groenlândia, o momento escolhido representa uma demonstração significativa de apoio à Dinamarca e ressalta as tensões entre os Estados Unidos e a Europa.

