O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou claro que deseja que o próximo chair do Fed reduza as taxas de juros rapidamente para estimular a economia. Nesse caso, Kevin Warsh, que ainda precisa da aprovação do Senado para liderar o banco central norte-americano, é uma escolha um tanto peculiar.
Embora Warsh tenha declarado publicamente — repetidamente — que concorda com Trump que as taxas de juros estão muito altas, ele construiu, durante o período que esteve no Fed, uma reputação de ser extremamente conservador em relação à inflação. Em outras palavras, ele era a favor de aumentos, não de reduções, nas taxas de juros.
“Minha impressão sobre o tempo dele no Fed: o primeiro instinto dele é conservador e raramente vi um potencial aumento de juros que não lhe agradasse”, apontou Joe Brusuelas, economista-chefe da RSM nos EUA. “Ele pode decepcionar um presidente que deseja taxas de juros extremamente baixas”, opinou.
Tim Mahedy, economista-chefe da Access Macro, concordou, observando que Warsh também apoiou a venda de títulos do Tesouro do balanço patrimonial do Fed, o que poderia aumentar os rendimentos dos títulos – e os empréstimos atrelados a esses rendimentos, como hipotecas.
“As políticas de Warsh provavelmente contrariam os desejos do presidente”, disse.
Embora a postura mais agressiva pudesse ter sido prudente durante a recente crise inflacionária, os críticos afirmam que o instinto de Warsh de aumentar as taxas de juros após a crise financeira de 2008-2009 foi equivocado.
“Durante a Grande Crise Financeira enfrentada por nós, Kevin Warsh continuou a exaltar a inflação como o principal risco”, relembrou Brusuelas. “Ele realmente não compreendeu a natureza, a magnitude e as implicações do choque semelhante a uma Depressão que ocorreu”.

