A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), por meio do 25º Distrito Integrado de Polícia (DIP), deflagrou, na terça-feira (24/02), a Operação Negócio Turvo, que resultou no cumprimento de oito mandados de prisão contra integrantes de uma organização criminosa investigada pelos crimes de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, estelionato, falsidade ideológica e falsificação de documentos.
Foram presos Adrião Severiano Nunes Junior, Bruno Muniz Rodrigues, Carla Castro da Silva, Gabriel Azevedo da Fonseca, João Pedro Guimarães de Araújo, Raquel Souza da Silva, Tayana Graça da Silva Ale e Tony Philip Ferreira da Silva.
A operação contou com o apoio do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), do Núcleo de Recuperação de Ativos (Nurati), do Departamento de Inteligência da Polícia Judiciária (DIPJ), de Distritos Integrados de Polícia (DIPs) da capital e da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PC-RJ).

Durante a ação, foram efetuadas oito prisões e cumpridos nove mandados de busca e apreensão domiciliar e três empresariais, sendo um no estado do Rio de Janeiro. Três investigados seguem foragidos: Anderson Ricardo Lima dos Santos, Carlos Augusto da Silva Freitas e Emanuelle Rosa Ramos dos Santos.
Em coletiva de imprensa, o delegado geral da PC-AM, Bruno Fraga, destacou que a investigação evidencia o trabalho abrangente de inteligência desenvolvido pela Polícia Civil do Amazonas.“Trata-se de uma investigação que identificou núcleos diretivos e executores responsáveis pela lavagem de dinheiro, integrantes de uma sofisticada organização criminosa voltada à prática de crimes de estelionato, lavagem de capitais, falsidade ideológica e delitos contra o sistema financeiro, que movimentou mais de R$ 75 milhões oriundos de golpes aplicados contra diversas vítimas”, afirmou o delegado-geral.

De acordo com o delegado Leonardo Marinho, titular do 25º DIP, as investigações tiveram início a partir do registro de boletins de ocorrência em diversas delegacias da capital, além da oitiva de testemunhas e de ex-funcionários de uma empresa responsável pela captação de clientes interessados em obter rendimentos financeiros.
“A empresa prometia ganhos vultosos de forma fraudulenta a vítimas, como servidores públicos, utilizando dados do Portal da Transparência para induzi-las à contratação de empréstimos bancários. Os valores eram rapidamente transferidos para contas controladas pela organização criminosa, sendo firmados contratos de cessão de crédito com o objetivo de dar aparência de legalidade às operações”, relatou o delegado.
Segundo Marinho, ficava acordado que os clientes receberiam mensalmente os valores correspondentes às parcelas dos empréstimos, acrescidos de uma quantia adicional. No entanto, após o pagamento de algumas parcelas iniciais, os repasses deixaram de ser realizados.

As apurações também constataram que parte dos investigados era composta por ex-funcionários de outra empresa, igualmente envolvida em esquema de pirâmide financeira, com modus operandi semelhante. Em razão da experiência adquirida, esses indivíduos passaram a atuar na empresa atualmente investigada.
“Foram realizadas diversas análises de vínculos entre os investigados, o que permitiu identificar que a organização era totalmente estruturada, com membros diretivos e sócios da empresa, Bruno e João, ambos já presos, contando ainda com o apoio de Anderson”, explicou o delegado.
Os membros executores e operacionais eram Carla, Tayana, Raquel e Emanuelle, que permanece foragida. Já o núcleo responsável pela lavagem de dinheiro era comandado por Adrião, Carlos, Gabriel e Tony, que atuavam para fazer com que os valores entrassem no sistema financeiro como crédito e saíssem como débito.
Conforme a autoridade policial, nesse tipo de golpe os criminosos atraiam as vítimas por meio da promessa de retornos financeiros garantidos, pagos com recursos aportados por novos participantes. Com a interrupção da entrada de novos investidores, o sistema entra em colapso, ocasionando prejuízos expressivos às vítimas.
Ação policial
Em Manaus, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em diversos bairros, incluindo a empresa alvo da operação.
Durante as diligências, foram apreendidos 32 veículos, sendo 28 carros e quatro motocicletas. Os policiais também realizaram diligências em um condomínio residencial no bairro Parque 10 de Novembro, zona centro-sul da capital.
Todos os veículos foram encaminhados à sede da Delegacia Geral (DG). Além disso, foram apreendidos uma arma de fogo, munições, documentos, notebooks, pendrives e discos rígidos.
Os envolvidos responderão pelos crimes de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, estelionato, falsidade ideológica e falsificação de documentos, permanecendo à disposição da Justiça.
Procurados
A PC-AM solicita que qualquer informação sobre o paradeiro de Anderson Ricardo Lima dos Santos, Carlos Augusto da Silva Freitas e Emanuelle Rosa Ramos dos Santos seja repassada pelos números (92) 3667-7625 (apenas ligações), do disque-denúncia do 25º DIP; 197 ou (92) 3667-7575, da PC-AM, ou pelo 181, da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). A identidade do denunciante será mantida em absoluto sigilo.



